Crítica | “Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi” é marcado por um doloroso conflito de etnias

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Em 2008, a então escritora estreante, Hillary Jordan, desenvolveu a escrita do seu primeiro romance, Mudbound, no Brasil, publicado pela Editora Arqueiro. Jordan escreveu esta ficção, enquanto cursava Escrita Criativa na tradicional Universidade de Columbia. O livro foi um grande sucesso: traduzido para dezenas de idiomas, vendeu mais de 250 cópias pelo mundo todo e ganhou diversos prêmios da categoria.

Nesta quinta-feira, 15 de fevereiro, chega aos cinemas a adaptação, Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississippi, distribuído pela Diamond Films. A trama mostra personagens, lutando por sentimentos de amor e honra num lugar e época brutais, marcado por conflitos sociais e de etnias.

A história acontece no sul dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, onde a história de duas famílias – uma negra e uma branca – que dividem terras no delta do Rio Mississipi, se entrelaçam. A trama mostra a família McAllan, vinda da tranquila Memphis, mas despreparada para as exigências da vida no campo. Apesar dos grandiosos sonhos de Henry (Jason Clarke), sua esposa Laura (Carey Mulligan) luta para manter a fé nas empreitadas de seu marido.

Hap e Florence Jackson (papéis de Rob Morgan e Mary J. Blige), que trabalham há gerações em fazendas, lutam bravamente para construir um pequeno sonho, apesar das barreiras sociais que enfrentam. Os planos de cada família são afetados pela guerra e pelo retorno de seus entes queridos, Jamie McAllan (Garrett Hedlund) e Ronsel Jackson (Jason Mitchell), que desafiam a realidade de onde vivem ao formar uma amizade.

De fato, quando os jovens ex-combatentes se tornam amigos, sua improvável relação desperta sentimentos violentos nos habitantes e uma nova e impiedosa batalha tem início na vida de todos.
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Jason Clarke e Carey Mulligan em cena. (? Diamond Films / Divulgação)
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Apesar de ser um ficção, a trama bem construída, é original e pode confundir o espectador, ao achar que se trata de uma produção baseada em eventos reais. A adaptação assinada por Virgil Williams e Dee Rees é bem desenvolvida e não deixa lacunas para quem nunca leu o livro.

Com livro e roteiro em mãos, Rees, quem dirige o longa-metragem, constrói uma dolorosa trama que retrata o conflito de etnia que até hoje assola os Estados Unidos da América e o mundo. Indicado ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Fotografia e Melhor Roteiro Adaptado, esta competente adaptação, ficou de fora do prêmio mais importante da Academia.

As lentes de Rachel Morrison (Pantera Negra), que faz história ao ser a primeira mulher a concorrer ao Oscar de Melhor Fotografia, retrata com a mesma competência, o Mississipi dos fazendeiro arrogantes, hipócritas e preconceituosos.

Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi é um soco no estômago para a sociedade atual e traz importantes debates para a atualidade. Uma pena que, numa premiação da importância do Oscar, por mais discussões que participam, deixou esta grande produção de fora da categoria mais importante da maior premiação do cinema mundial.

Assista ao trailer:

Texto escrito por Alyson Fonseca.

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