30 anos depois, o Batman de Tim Burton continua excelente

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Batman faz 80 anos neste ano de 2019 e as homenagens ainda não acabaram- mesmo com o fim de ano próximo. A dimensão do personagem já foi explorada em diversas mídias e formas, pois o material base nunca irá acabar.

O personagem é simplesmente interminável, os meios para se contar sua história são diversos e foram muito bem explorados no cinema. Tivemos alguns deslizes pelo caminho, claro, mas o resultado geral é muito bom.

Neste artigo, quero lhes falar da adaptação de 1989, dirigida por Tim Burton (“Os Fantasmas se Divertem“) e sua influência nos filmes de heróis no geral. O filme também faz aniversário- 30 anos pra ser exato-, e continua excelente.

Na década de 70, o mundo viu um homem voar. “Superman- O Filme” (1978) era lançado e encantava uma geração toda. A esperança estava na telona, para dez anos depois, o medo invadi-la. O filme foi um sucesso de público e crítica, possibilitando o surgimento de outros filmes e sequências.

Então surge a década de 80, nos quadrinhos, Batman passa por um período de reinvenção extremamente criativo, com histórias cada vez mais pesadas e sombrias. É o momento de clássicos como: “Piada Mortal” (1988), “Ano Um” (1988) e “O Cavaleiro das Trevas” (1986).

O olhar de gênios como Alan Moore e Frank Miller sobre o personagem contribuem para a construção de uma nova forma de se lidar com seus traumas e ações. O Homem Bruce Wayne se torna apenas uma faceta do símbolo Batman.

Parece que o passado colorido e cômico do personagem, muito realçado pela excelente série dos anos 60, foi deixado de lado. O filme de 89 busca aproximar-se desse novo Batman, dessa versão sombria.

Michael Keaton (“Os Fantasmas se Divertem“), a polêmica escolha do diretor para o papel de Bruce Wayne, se empenhou para entregar uma versão mais dark do personagem.

Ele chegou a ler “O Cavaleiro das Trevas” e trabalhar em um tom certo para suas vozes como Batman e como Wayne. Ele queria meter medo e Burton tentava o mesmo com sua ambientação para o longa. O esforço dos dois acabou por trazer inúmeros problemas para a sequência “Batman: O Retorno” (1992) e trouxe o afastamento dos dois de um terceiro projeto sobre o Homem-Morcego.

Ao ser anunciado, os fãs chegaram a até fazer uma petição contra o ator (viu? Não é algo totalmente novo), pois ele era muito baixo e diferente da versão dos quadrinhos.

A Gotham City de Burton é a melhor já feita; seus cenários e fotografia representam toda a escuridão da cidade. Não é só Chicago de noite, como na excelente trilogia de Nolan; é uma cidade viva e vinda diretamente dos quadrinhos.

As gárgulas, as ruas sujas, a fumaça constante e os prédios escuros criam um cenário que acaba sendo um personagem por si só. Mas o personagem que ganha o olhar de todos é o Coringa de Jack Nicholson (“O Iluminado”), em seus embates com o Batman e nas suas próprias aparições sozinho em tela.

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Sua versão do palhaço do crime é muito autoral e mais aproximada da veia cômica presente nos quadrinhos antes dos anos 80. Os truques espalhafatosos, as pistolas falsas, os sacos de riso e os apertos de mão com choque são o oposto daquele visual sombrio procurado por Burton e Keaton.

Ainda assim, o Coringa de Nicholson se impõe por seu carisma e falar marcantes. O ator acaba dando seu próprio charme à um vilão tão icônico e já cheio de charme. Dessa forma, o resultado só pode ser positivo. A grande proposta do longa é o embate entre o Batman e o palhaço, sendo duas aberrações, cujas próprias origens estão ligadas.

E o que falar da trilha sonora do mestre Danny Elfman? A música tema definitiva do Batman se encontra nesse filme, dando um ar épico ao personagem e suas corridas com o batmóvel.

O trailer oficial do longa.

O carro também não escapa desse caráter épico, sendo uma reposta ao cômico veículo da série dos anos 60, com ares mais escuros e sérios. É um dos melhores batmóveis, com seu estilo eterno e inabalável.

Mas voltando a música tema, se John Williams representou toda a esperança que vêm do Homem de Aço ao levantar vôo, Elfman captou todo o medo que ecoa do Batman, toda a atmosfera que circunda seus traumas e atos.

O Batman de 1989 continua sendo um filme excelente, mesmo com algumas mudanças na história dos quadrinhos, como o envolvimento do Coringa na morte do casal Wayne. O longa trouxe uma renovação aos super heróis no geral e possibilitou outros filmes do gênero.

A atmosfera criado ao seu redor e diversos elementos de sua trama devem ser pontuados sempre, constituindo uma obra que se tornou clássica por razões puras e justificáveis.

Um filme sombrio, ainda com traços cômicos e ridículos em alguns momentos, cujo legado é mais do que positivo. É um filme digno para o melhor personagem já criado em uma revista em quadrinhos.

Ainda sobre Batman: https://cineramaclube.com.br/10047138/zack-snyder-diz-que-batman-seria-sacrificado-em-liga-da-justica-parte-ii/

Confira também a linda action figure do Batman deste clássico: https://www.ironstudios.com.br/batman-art-scale-110-batman-1989-973/p

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