Crítica | Jackie – Natalie Portman no seu melhor papel

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Um filme com uma trilha sonora fantástica, fotografia impecável, montagem inteligente, edição que ajuda na ambientação da narrativa e uma atriz fantástica no seu melhor papel. Agora, por qual motivo esse filme não é mais valorizado? Quem é que sabe.

Jackie é o filme  lançado em 2016, dirigido por Pablo Larraín e estralado pela Natalie Portman. O filme conta a história da vida da ex primeira dama Jacqueline Kennedy nas semanas após o atendado que tirou a vida do seu marido e presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy. A atriz está absolutamente fantástica nesse filme, mas nós não vamos falar dela agora, espera um pouco aí.

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A fotografia é impressionantemente bem executada, juntamente com o figurino o filme reproduz de maneira dramática diversas cenas reais dos acontecimentos daquela época, mas as referências biográficas não são o ponto alto das imagens. Ambientado nos anos 60 é possível sentir toda a atmosfera e a textura daqueles dias, além de criar uma realidade de mundo muito eficiente à fotografia ajuda na imersão do estado de espírito da personagem. Eu gosto sempre de propor um desafio e inclusive faço isso com frequência para analisar melhor a fotografia, retire todo o som e assista a cena, é possível entender o que se passa na cena? Ou é possível entrar na cabeça da protagonista e sentir o que ela está sentindo? Se a segunda resposta for verdadeira então você estará diante de uma boa fotografia e este filme acerta muito ao fazer isso. Em algumas cenas com câmera na mão fazendo movimentos circulares em volta de Jackie você fica angustiado e sem fôlego. Grande trabalho de direção e sincronia aqui.

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A edição é feita em pedaços soltos, o filme não obedece uma narrativa formal e a montagem cria uma troca de expectativa e gratificação que, embora singela, funciona perfeitamente. Um exemplo marcante pode ser visto na cena em que a Jackie Kennedy está ensaiando um discurso em frente o espelho do avião, essa cena discorre com um tempo relativamente grande ajudando a estabelecer o estado de espirito da personagem naquele momento, acontece que no desenvolver desta sequência a personagem vive o acidente e a cena par, onde ela mais uma vez se reencontra frente ao mesmo espelho do mesmo avião, é diretamente oposta, deste modo é possível observar, sem qualquer linha de diálogo, que a personagem está em outro estado de espírito.

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A trilha sonora é brilhante, pontual e impactante. Ela ajuda a impulsionar o filme. Algumas cenas que poderiam ficar de certo modo engessadas ou desinteressantes ganham outro tom ao entrar a trilha precisa e grandiosa. Combinadas com a fotografia, o cenário e o figurino; a trilha sonora amplia o poder de imersão no mundo da personagem e tornam essa transição muito mais eficiente. Algumas vezes você observa como a Jackie está transtornada, já em outras, você estará transtornado junto com ela.

Agora a Natalia Portman, desde o Cisne Negro era fácil prever que ela é uma grande atriz, mas a capacidade e a dimensão dessa interpretação são dignas de um Oscar, eu honestamente não assisti ao La La Land, contudo, acho pouco provável que a Emma Stone tivesse retirado tanto de uma personagem como a Natalie Portman conseguiu fazer neste filme.

Uma primeira dama é obrigada a assumir diversos papéis diante da sociedade para poder manter polida a imagem da figura de poder que o seu status representa; uma primeira dama que perde o seu marido vítima de um a tentado gravado pela televisão deve interpretar milhões de papéis para tentar manter a sanidade e alimentar a mídia; pois neste filme Natalie Portman conseguiu captar essa essência primordial sem abrir espaço para críticas, ela interpreta uma mulher que deve sofrer o luto e assumir o seu papel público, além disso, a atriz foi capaz de incluir diversas outras camadas de sentimentos que um bom filme de Drama pede. Algumas cenas são cruas, humanas, já outras são polidas e medidas, é uma atuação impecável, digo e repito digna de um Oscar.

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Jackie é mais um filme para poucos paladares, o roteiro não apresenta grandes transformações ou redenções, o filme não faz muitas promessas e o ritmo lento pode acabar incomodando a audiência mais habituada ao Cinema de efeitos especiais e cenas mais rápidas, de todo modo, para quem gosta de filmes de Drama e aprecia uma boa narrativa através da fotografia somada com a edição, além é claro, de uma atuação memorável da atriz principal, Jackie é uma boa escolha.

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