Crítica| The Handmaid’s Tale (1ª Temporada)

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Com base no romance homônimo de Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale talvez seja, do ponto de vista social, político e cultural, a série mais relevante e importante do momento. Numa sociedade onde a grande parte das mulheres não conseguem ter filhos e a maioria dos homens são estéreis, a série foca na República de Gilead, uma versão alternativa dos Estados Unidos que é regido por um opressivo governo que controla a sociedade por meio das leis da bíblia. Em Gilead, as mulheres que ainda podem ter filhos são capturadas e enviadas para as casas dos membros do grande escalão desse novo governo para servirem como reprodutoras que terão os filhos desses membros; A essas mulheres é dado o nome de “ Handmaid”.

The Handmad’s tale é assustadora, pois mostra um futuro que não queremos acreditar que possa acontecer… Mas pode (inclusive já acontece em algumas regiões do mundo). Essa estreita relação entre ficção e realidade é a principal característica responsável por tornar a serie tão interessante. Por mais que saibamos que é uma ficção, os fatos são tão bem ilustrados que não sentimos assistir, de fato, uma ficção, mas sim um futuro não muito distante.

A atuação brilhante de Elisabeth Moss como a protagonista Offred é tão intensa que chega a nos assustar por passar uma sensação de realidade que nos faz acreditar que ela é uma de nós e de que aquilo que está acontecendo com ela, não está tão distante de nós. A direção favorece demais essas sensações colocando sempre a câmera muito próxima do rosto das personagens (principalmente de Offred), o que nos faz ver as coisas do ponto de vista delas. Para somar a isso, ainda podemos ouvir os pensamentos de Offred, nos colocando mais ainda dentro do seu mundo, o que transforma a série num fascinante drama psicológico onde nos sentimos como a protagonista.

A serie acerta em cheio em criar uma atmosfera onde a tensão, o medo e a desconfiança estão sempre presentes. Pessoalmente, não lembro de ficar tão apreensivo assim desde “ 1984 “ dirigido por Michael Radford. Aliás, as semelhanças com o clássico de George Orwell são muitas: além do clima de medo e tensão, temos um desprezo total pelos inimigos do estado (que nesse caso são os suicidas, adúlteros etc.) e também um sistema que acredita no recondicionamento dos cidadãos por meio de violência e tortura.

Outro ponto forte de The Handmaid’s tale é o contraste de realidades que é mostrado entre a vida de Offred antes e depois de Gilead. Acompanhar a sequência de fatos que mudou drasticamente a vida da protagonista é uma experiencia angustiante, principalmente quando nos familiarizamos com seus laços familiares e amorosos.

A dicotomia entre bem e mal é trabalhada de maneira brilhante na série. Em um episódio ficamos abismados pensando em como algo pode ser tão brutal, já em outro somos tentados a pensar “será que é de todo ruim mesmo?”; Não vemos somente um lado da história, o que torna tudo muito mais complexo e interessante.

Com uma história extremamente interessante que irá fazer você refletir sobre diversos temas como religião e machismo, The Handmaid’s tale é uma das melhores e mais relevantes séries da atualidade e merece que você dedique algumas horas para assisti-la. Com apenas 10 episódios da primeira temporada, só podemos torcer para que a próxima temporada mantenha o nível de qualidade.

Abaixo você confere o trailer legendado:

https://www.youtube.com/watch?v=NaPft-MFj38