Dentro de poucos dias, cerca de 200 mil profissionais e fãs de “bandas desenhadas” (termo utilizado na Europa para histórias em quadrinhos) se reúnem para participar do Angoulême Festival de La Bandé Dessinée, evento anual realizado na cidade francesa de mesmo nome. Eu sua 44ª edição, o festival é um celebração da nona arte, especialmente a franco-belga, com exposições, palestras e lançamentos variados. É em seu primeiro dia que são também anunciados os ganhadores dos prêmios oficiais do evento, incluindo o principal deles, o Grand Prix.

O Grand Prix é uma espécie de premiação pelo “conjunto da obra” dada a profissionais que ajudaram a moldar os quadrinhos, tendo agraciado ícones como Will Einser, Moebius, Hugo Pratt e Katsushiro Otomo. É também um prêmio técnico: o vencedor é escolhido em votação de dois turnos por um colégio eleitoral  de cerca de 3500 profissionais da área de diversas nacionalidades, mas que tiveram materiais publicados em francês. Originalmente, a organização fornecia uma lista fechada de 30 candidatos, mas depois da polêmica ausência de artistas mulheres em 2016, a organização decidiu deixar a escolha em aberto.

Amanhã, o vencedor da edição de 2017 será escolhido dentre três artistas: o suíço Cosey, o francês Manu Larcenet e o americano Chris Ware.

Personagens icônicos de Cosey, Larcenet e Wake

O veterano Cosey é mais conhecido pela série Jonathan, que narra as aventuras de um europeu pelo Oriente (o próprio já viajou para a Ásia em busca de inspiração para seu  alter ego) e já lhe rendeu um Prêmio Angoulême de melhor álbum em 1982. Larcenet se dedica mais aos quadrinhos de humor, tendo sido colaborador da revista francesa Fluide Glacial e também ganhador do Angoulême em 2004 pela graphic novel Le Combat Ordinaire. Outro premiado, Chris Ware é autor de Jimmy Corrigan, the Smartest Kid on Earth, a história autobiográfica de um americano introspectivo de meia-idade, que encontra pela primeira vez seu pai.

Mas e quanto ao “quarto” candidato mencionado no título? Bom…

“Ataque de Oportunidade!”

Acontece que ninguém menos do que Alan Moore estava entre os finalistas. Aliás, ele já havia sido indicado como finalista nas últimas quatro edições, sendo portanto um forte concorrente. Moore, no entanto, comunicou que gostaria de ser retirado da lista, uma vez que pretende “deixar a vida pública dos quadrinhos ou receber premiações” na área, abrindo espaço para nomes menos “consagrados”. A decisão demonstra a persistência do impacto do Autor Original no mundo das HQs, bem como reforça sua intenção de se retirar permanentemente deste universo (dos quadrinhos, não sabemos se o bruxão pretende se mudar para outro plano de existência no futuro próximo).

A despeito das polêmicas nos últimos anos, é possível perceber uma tentativa dos organizadores do Angoulême de reforçar a relevância de uma das principais premiações mundiais do meio, balanceando a tradição das bandas desenhadas europeias que lhe deram origem com abordagens mais alternativas e que fogem um pouco do Velho Continente. Esperamos que o resultado seja positivo para os amantes da nona arte!

 

 

 

 

 

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