Slash – O Guerreiro do Apocalipse – Doug Moench/Paul Gulacy (1987)

Slash foi publicado no Brasil em uma época bem curiosa para o mercado nacional, a mini-série em 3 edições veio na esteira do boom gerado pelo sucesso arrasador de crítica e vendas da mini de luxo O Cavaleiro das Trevas em terras nacionais, com isso, várias editoras – e a própria Abril – começaram a investir pesado em qualquer material que fosse vagamente “adulto” na esperança de capitalizar em cima do novo filão aberto.
Se com isso, muita coisa ruim chegou às bancas (e quando não?), muitos materiais mais obscuros e que em outra ocasião jamais teriam a chance de serem publicados por aqui tiveram a chance de arriscar sua sorte com os leitores.
Slash – O Guerreiro do Apocalipse foi um desses títulos.

A mini era capitaneada por Doug Moench e Paul Gulacy, dupla veterana da Marvel e DC e parceiros de longa data, que já haviam trabalhando juntos em títulos como Mestre do Kung Fu, Conan e Batman, Gulacy, particularmente, era um desenhista bastante cultuado por seu estilo de desenho cinematográfico e ligeiramente estilizado, que conscientemente aboliu linhas de velocidade, traços que indiquem movimento e qualquer forma de elemento gráfico que não encontre um correspondente na vida real. Fazendo com que suas páginas, assim, se aproximem muito mais do cinema e da fotografia, do que dos quadrinhos tradicionais.

Slash também não nega a época em que foi feito. É uma HQ de ficção anos 80 até a alma.
A história se passa após uma invasão alienígena onde a Terra levou a pior. Sob o domínio dos aliens, com um planeta sendo gradualmente transformado em algo mais próximo ao mundo natal dos invasores, resta pouco tempo para Slash Maraud e Wild Blue reunirem um exército renegado para tentar fazer a ofensiva final que poderá finalmente libertar nosso mundo.
Claro que até lá eles terão que passar por gangues de amazonas motorizadas, desertos, alienígenas, enfrentar gladiadores modernos que veneram Elvis Presley, mais alienígenas e até uma família de canibais, afinal, nada é fácil, não é mesmo?

A partir dessa premissa simples, o que se segue é uma aventura divertida e vibrante em clima de filme B anos 80, repleta de referências a clássicos do cinema e da literatura, como Juventude Transviada, Mad Max, Psicose, O Massacre da Serra Elétrica, Invasores de Corpos, Guerra dos Mundos, e diversos outros, propositalmente canastrona, sem jamais se levar a sério demais ou abandonar a missão de entreter acima de tudo.
De fato não é difícil imaginar Slash Maraud vagando pelo deserto radioativo em sua moto com algum riff de rock genérico ao fundo, interpretado por Kurt Russel em um filme feito por John Carpenter, à lá Fuga de Nova York. Eu realmente prefiro acreditar que em algum mundo paralelo esse filme existe.
Ele seria incrivelmente divertido.

Onde saiu? Slash foi publicado apenas uma vez, como uma mini-série em 3 edições pela Editora Abril, em 1989.

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