Dragon Ball, edições 1 a 6 – Akira Toriyama (1984)

Encontrar um mangá mais divertido que esse não é uma tarefa fácil.
Dragon Ball (inicialmente, ao menos) conta a história do ingênuo e poderoso Son Goku, um menino com cauda de macaco e uma nuvem voadora, exímio lutador, que resolve ajudar a esperta Bulma a encontrar as Sete Esferas do Dragão, artefatos místicos que quando unidos concedem um desejo ao seu possuidor.

Com uma estrutura calcada principalmente na lenda chinesa da Viagem Para o Oeste, Dragon Ball vai fundo nos mais diversos subgêneros da cultura pop do século XX, a cada capítulo a deliciosa história passeia por todos os clichês dos filmes de western, histórias de pirata, cinema de artes marciais, entre diversos outros, compondo uma história que avança de maneira episódica, apoiada no relacionamento entre o elenco carismático (particularmente as interações entre o trio central: Son Goku, Bulma e o impagável Mestre Kame, uma versão tarada do arquétipo do velho mestre), na ação vertiginosa e no afiado senso de humor de Akira Toriyama.

Totalizando quase 10.000 páginas, Dragon Ball foi um dos mangás mais bem-sucedidos de todos os tempos, gerando animações para TV, games, longas animados, uma infinidade de produtos e até mesmo um filme hollywoodiano completamente esquecível.

A vontade de produzir a série surgiu com o crescente cansaço de Toriyama em relação à sua série anterior, a igualmente engraçada Dr. Slump, uma espécie de cruzamento entre sitcom e ficção científica, que ele julgava americanizada demais. Com seu peculiar método de criação, Toriyama se voltou para o oriente, primeiro, desenhando elementos oriundos da arquitetura chinesa, até criar a ilha, onde se passa a primeira parte da história, a partir daí se apropriou da lenda do macaco de Viagem para o Oeste e desse jogo de associação acidental de ideias, nasceu a nova série.
Um método bastante curioso mas que rende bons resultados, sua série posterior, a ótima Sandland, por exemplo, só foi feita porque ele queria desenhar tanques de guerra.

Com certeza uma grande parte do sucesso do mangá se deve ao senso de humor impagável de Akira Toriyama e seu timing realmente impressionante para gags constantes e a ação, aliado a uma arte limpa, bonita e elegante.
Com o tempo, este mesmo humor começaria a escassear na série, priorizando a ação sem escalas e culminando em uma espécie de evolução da história, denominada Dragon Ball Z, que embora mais conhecida, perde muito quando comparada com a diversão ensolarada da primeira metade da saga de Son Goku.
Esta mistura certeira de diversão, humor e ação vertiginosa dos primeiros anos fez escola, sendo influência direta para diversos mangás milionários, como Naruto, One Piece e Bleach que seguem sua fórmula à risca.

Após 11 anos de publicação contínua, o autor se dedicou apenas a projetos pequenos (para padrões japoneses, claro), como o já citado Sandland, de pouco mais de 100 páginas, nunca mais realizando nada com o mesmo porte.
Não que fosse necessário, com o sucesso avassalador de Dragon Ball e da maneira como ele ajudou a popularizar os mangás em todo o mundo, seu nome já está escrito na história dos quadrinhos.

Onde saiu? Dragon Ball foi publicado três vezes no Brasil, em 32 edições normais pela Conrad em 2000, depois recompilado em 16 edições definitivas novamente pela Conrad em 2005 e por fim, 42 edições pela Panini em 2012.

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