Aldebaran, edições 1 a 3 – Leo (1994-1996)

Se existe uma maneira adequada de definir Aldebaran, talvez seja descrever o título como um clássico absoluto da ficção moderna.

Aldebaran narra a história de Kim e Marc, um casal de adolescentes que mora em uma vila pesqueira de um mundo alienígena. Um mundo levemente despótico, de baixa tecnologia, não por acaso lembrando muito as ditaduras latino-americanas, um mundo onde uma das questões essenciais é o repovoamento: toda mulher a partir dos 17 anos sofre pressões para cumprir seu papel na sociedade e engravidar.
Os humanos que ali vivem são os descendentes de uma colônia que partiu em busca de novos mundos, e que perdeu contato com a Terra há quatro gerações. A Terra original, uma lembrança cada vez mais distante e entrando para o terreno das lendas, com todas as distorções que elas carregam.
Após a aparição de uma enorme criatura que destrói boa parte da vila, Marc e Kim, se tornam dois dos poucos sobreviventes e testemunhas do acontecido e começam a perceber que em vez de um mero incidente, existe algo muito maior por trás daquele ataque.

A história parte de uma abordagem inteligente, onde em vez de utilizar explicações didáticas detalhadas sobre aquele mundo e contexto, vamos o descobrindo com naturalidade, pouco a pouco em suas estranhezas e particularidades. Nada é dado de presente para o leitor, à medida que vamos conhecendo os personagens, suas vidas e preocupações tão semelhantes às nossas (mostrando que socialmente o homem é o homem em qualquer lugar do universo), as emoções são verossímeis, a ação não é exagerada, no fim das contas é a história de adolescentes em um rito de passagem para vida adulta, com toda a insegurança, cobrança e tensão sexual que isso traz (aliás, tratada com muita maturidade e naturalidade na obra), dentro de seu maravilhoso e estranho mundo novo para nós.
E também, à medida que a história se desenrola, vamos descobrindo o que levou a humanidade a abandonar a Terra e qual é a grande trama que unifica os cinco álbuns da série.

O mundo de Aldebaran é um destaque à parte nos álbuns, alienígena ao extremo e ainda assim plenamente convincente. É evidente o cuidado – e o prazer – do autor em construir todo aquele universo. Um trabalho de artesão, que nunca deixa de maravilhar e instigar a imaginação, mais do que um elemento central da obra, o mundo e sua rica e estranha fauna e flora é quase um personagem e nesse sentido o desenho de Leo é outro trunfo.
É um dos poucos mundos alienígenas da história da ficção que realmente lhe convencem.

O autor, Leo, ou Luis Eduardo de Oliveira, é um brasileiro que fugindo da ditadura, encontrou refúgio na França. Após atravessar todos os anos 80 com trabalhos de menor relevância, cravou seu espaço no mundo dos quadrinhos com esta portentosa obra de ficção, que já conta com 13 álbuns. Cada ciclo, ou história completa, compreende 5 álbuns, cada história completa se passa em um planeta diferente daquele sistema solar e mostra a evolução dos personagens principais, da adolescência até a vida adulta.

O primeiro ciclo saiu inteiro em terras brasileiras, publicado pela editora Panini.
Se você tiver a sorte de encontrar, não pense duas vezes antes de comprar.

Onde saiu? O primeiro arco de Aldebaran foi publicado inteiro no Brasil em 5 álbuns de luxo pela Panini, entre 2006 e 2007.

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