Seguindo os passos propostos pela nossa coluna, lá fui eu experimentar um novo número 01. Já que o primeiro experimento com God Hates Astronauts funcionou que é uma beleza, resolvi repetir a dose com outro título da Image Comics, dessa vez The Manhattan Projects, de Jonathan Hickman. Vamos ver se o raio cai no mesmo lugar.

É…


Eu conhecia o trabalho de Hickman da longa fase dele no Quarteto Fantástico (digo, pelo menos das duas, três revistas que eu li), não tive má impressão, mas era um arco longo pra caceta que me deu uma tremenda impressão de pegar o bonde andando. Bateu preguicinha de ler as 436 edições, no entanto, vi que era um nome que valia a pena conhecer mais e fiquei de acompanhar a primeira coisa dele que caísse nas minhas mãos a partir do número um.
Calhou de ser The Manhattan Projects.
Nos últimos 10 anos a Image tem sido, sem sombra de dúvidas a melhor editora da atualidade, o lugar onde todos os novos criadores ou os criadores consagrados vão levar seus títulos para fugir das políticas draconianas das majors. Com isso, ela se tornou a grande caixa de areia onde os autores vão brincar. E por conseguinte, um dos poucos cenários possíveis e economicamente viáveis possível para alguma inovação dentro do pop. Um lugar onde as ideias partem da vontade e agenda de seus autores e não de alguma ordem verticalizada de algum executivo com uma planilha nas mãos. Quem diria.
Resumindo: se você quer ler coisas novas e interessantes, a Image é o seu lugar. Eu nunca achei que fosse escrever isso um dia.

Garantimos, você nunca mais vai ver a ciência da mesma maneira.


Bom, voltando a Manhattan Projects. Resumão rápido: a série se passa nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, quando os aliados e o eixo competem na criação das armas supremas. Se isso parece sério demais para você, vamos dizer que logo na primeira edição o projeto americano é atacado por um obus japonês que expele robôs ninjas armados com katanas.
É ficção científica e suspense da maneira mais imaginativa e despirocada que você consegue imaginar, utilizando personagens reais como Albert Einstein, Robert Oppenheimer e Richard Feyneman da maneira mais inusitada possível e com um plot twist magnífico ao final.

O lado ruim é que devido ao modelo econômico com que a Image trabalha, onde os autores não são pagos pelas páginas e entram como parceiros, ou seja, mantém os direitos e recebem porcentual das vendas, raramente temos bons artistas gráficos disponíveis, afinal, encarar 22 páginas sem nenhum ganho no horizonte não é para qualquer um.
Isso se reflete nas edições de The Manhattan Projects, onde temos Nick Pitarra, em desenhos bons mas meio wannabe Frank Quitely da segunda divisão, ainda que no geral nada que comprometa o resultado. Como um todo, é uma obra desprovida de ambição no melhor sentido da palavra, onde o que vale é contar uma boa história.

Vai pra estante, definitivamente.

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