Se há uma lição que nós amiguinhos podemos tirar das últimas décadas em termos de desenhos, séries, filmes e brinquedos é que, como um personagem de uma revista de super-heróis, todos eles morrem (mas não se preocupe, também como os heróis, acabam ressuscitando por razões mercadológicas). Algumas dessas coisas terminam no auge, outras se arrastam por aí como um Arquivo X depois da quarta temporada ou Smallville depois da terceira. Nesse ponto você se vê desejando que aquela série que um dia gostou seja sacrificada por misericórdia, como um animal agonizante.

É com esse bonito sentimento que a gente fica imaginando que talvez fosse melhor que a G.I.JoeCon tivesse realmente terminado no ano passado. Como você pode se lembrar, foi com muita empolgação que o G.I.Joe Collector´s Club anunciou que haveria mais duas edições da convenção mesmo depois que a Hasbro decidiu retirar sua licença.

Havia mesmo a esperança de que o clube pudesse manter a licença indefinidamente se os fãs pedissem, mas a primeira Joecon depois da extensão, que aconteceu na semana passada (16 a 18 de junho) em Orlando, Flórida, deixou uma sensação de clima de fim de feira. A programação não teve muitas novidades em relação aos últimos anos e apenas os convidados de praxe apareceram. Brian Savage, o presidente do clube, confirmou que a última convenção será mesmo em 2018 ao afirmar que “você passa a vida fazendo brinquedos, chega uma hora em que a gente tem que pensar em ir pra casa e brincar com eles”.

A própria Hasbro nem participou da convenção, mas mandou o responsável pela marca Brian dePriest como representante, que deu a notícia de que este ano não haverá lançamento em brinquedo do G.I. Joe. Assegurou, no entanto, que o grupo especial de combate terá uma “experiência” na Hascon, a convenção que a gigante dos brinquedos vai receber em setembro deste ano em Providence, Rhode Island. Só que quem achava a Joecon cara, é melhor ir tirando o escorpião do bolso porque essa parte do evento custará nada menos do que US$ 600,00. Ele garante que seus colegas estão trabalhando para que essa pequena fortuna valha a pena.

A verdade é que, se você não for colecionador e está lendo este texto, talvez até tenha se surpreendido que G.I. Joe ainda exista. De fato, a Hasbro está procurando reposicionar a marca para um público mais amplo da mesma maneira que fez com Transformers, mas até agora não conseguiu. Já lançou dois filmes, o segundo quase um reboot, e anunciaram que começariam do zero com um universo compartilhado entre várias de suas marcas, como é a moda hoje.

Só que isso tudo ainda não passou de uma fase de brainstorming em uma sala com vários roteiristas. É possível que estejam esperando o fim da era Michael Bay, que se aposentará depois de Transformers – O Último Cavaleiro, nos filmes dos robôs alienígenas. O tempo dirá. Enquanto isso, aos colecionadores que ainda resistem com G.I. Joe sobra uma convenção de US$600,00, os quadrinhos pela IDW, a promessa de alguns filmes e nenhum lançamento de brinquedos em vista. Até que a reinvenção venha, e haja a demanda de um público maior, resta aos Joes e Cobras vagarem nesse limbo.

Fotos deste post: Rodrigo Gonzalez e Divulgação do G.I. Joe Collectors Club.