Se você gosta de quadrinhos, e se já foi exposto as obras de Roy Lichtenstein, com certeza os quadros deste pintor norte-americano, ou estadunidense, escolha aí, devem ter te chamado a atenção. Principalmente suas obras de sua fase Pop Art.

Roy Lichtenstein foi um dos maiores, mais influentes e inovadores artistas do século XX. Identificado com a Pop Art, movimento que ajudou a fundar, suas artes começaram a se destacar quando ele passou a trabalhar com pinturas baseadas em imagens de histórias em quadrinhos e propaganda. Lichtenstein utilizava-se de uma técnica chamada Ben-Day-point, que consiste em simular os pontos reticulados que se formavam na impressão dos desenhos das histórias em quadrinho e nas propagandas.

Batman desenhado utilizando-se a técnica de Ben-Day-point

Esses pontilhados, ver imagem XXX, são melhor observados em imagens antigas por causa das técnicas de impressão utilizadas. Olhando-se mais perto, ou aumentando a imagem destas antigas revistas e jornais, com uma lupa por exemplo, pode-se ver os pontos de Ben-day.

Exemplos de telas preenchidas pela técnica de Ben-Day-point

O uso de cores brilhantes em imagens planas e bem delineadas por traços negros aumentam o impacto visual das imagens criadas por Lichtenstein que revigorou a arte norte-americana e implicou na completa mudança da arte moderna. O sucesso de Lichtenstein o levou a criar mais de 5000 obras entre pinturas, desenhos, impressões (os prints) esculturas, murais além de outras obras.

Roy Lichtenstein em seu estúdio

As obras de Lichtenstein levam-nos a refletir sobre as formas artísticas e sua linguagem. A partir do momento que ele capta imagens e cria quadros fora do seu contexto original, vemos imagens frias, comerciais, que unem a abstração e a alta arte. Numa mistura de contestação da sociedade de consumo e reconhecimento da cultura pop como arte maior.

Foto de cinco dos maiores artistas pops norte-americanos, da esquerda para a direita, Tom Wesselman (1931 – 2004), Roy Lichtenstein (1923 – 1997), James Rosenquist, Andy Warhol (1928 – 1987), e Claes Oldenburg, posam juntos no loft de Warhol, New York, New York, 1964. (Foto de Fred W. McDarrah/Getty Imagens)

Uma das obras mais famosas de Roy Lichtenstein é Drowining Girl, que foi inspirada em uma história publicada na revista Secret Hearts, #83, de 1962.

Capa de Secret Hearts, #83, 1962.

A revista Secret Hearts, era uma publicação popular em sua época, principalmente no anos sessenta. Apresentando histórias com amores não correspondidos, triângulos amorosos, corações partidos e, de vez em quando. finais felizes. Secret Hearts lembra muito as narrativas de revistas como Julia, Sabrina, Bianca, etc (não que eu tenha lido…)

Primeira página da história, Run for Love!, publicada em Secret Hearts #83, de 1962

Na época, a arte das histórias causou muito impacto e a revista fez muito sucesso entre as adolescentes. Mesmo que as histórias fossem em geral sempre as mesmas com roteiros que se repetiam, o público era cativo e Secret Hearts vendia muito. A publicação tinha o selo do Comics Code Authority, o que deixava os pais sossegados quanto ao limite do romance permitido em suas narrativas.

Em Secret Hearts, #83, d e1962, a trama “Run for Love”, que inspirou Roy Lichtenstein, conta a história de uma garota que se sente o patinho feio em uma família de cisnes e que nunca consegue chegar perto de seu amado (ou crush, como os “jovens” dizem hoje), e ela prefere afundar no oceano a viver uma vida sem o seu amado, tanto que ela pensa, “I don’t care if I have a cramp! – I’d rather sink – than call Mal for help”, que, em uma tradução livre, seria: “Eu não ligo se eu tiver uma câimbra, prefiro afundar do que pedir ajuda a Mal”. Mal é o nome do amado/crush.

História bem pesada para as adolescente em 1960, não? A partir desta história, Roy Lichtenstein criou a o quadro “Drowing Girl”. Ele acentua os as ondas ao redor da garota e muda a frase, que agora está escrita em letras maiúsculas, “I DONT CARE! I’D RATHER SINK THAN CALL BRAD FOR HELP!”, em tradução livre seria, “Eu não me importo! Eu prefiro afundar, então peço ajuda a Brad!”.

The Drowning Girl, pintura de Roy Lichtenstein, Tinta a óleo, 1963, Museu de Arte Moderna de Nova Iorque

“Brad” é uma referencia comum nas artes de Lichtenstein. Drowining Girl custa hoje U$40,000,000.00. Vale? Isso já é outra discussão.

Comparação entre a arte original e a trabalhada por Roy Lichtenstein.

Para mim, o importante dessas obras, dessa em particular, é mostrar que a arte é encontrada nas mais variadas mídias. A Pop Arte transforma diferentes objetos e situações em arte apreciada nos maiores museus do mundo, mostrando a irreverência e a beleza de peças do nosso dia-a-dia. Como nas páginas de histórias em quadrinhos.

Eu só lamento por quem não lê quadrinhos, as vezes por preconceito, e perde a oportunidade de apreciar um tipo de arte acessível a todos. Grandiosa e envolvente.

Tá bom, alguns desenhistas não merecem entrar na categoria de artistas, mas viraram referências, não é Liefeld?

Umas das “obras” mais famosas de Rob Liefeld.

Abaixo seguem alguns trabalhos de Roy Lichtenstein baseados em quadrinhos.

 

Quadro Whaam! de 1963, Museu de arte moderna Tate de Londres.

Whaam!

Comparação entre a arte original e a produzida por Roy Lichtenstein

Capa da revista na qual foi publicada a arte trabalhada por Roy Lichtenstein em Whaam

 

Foto de Roy Lichtenstein tendo Whaam ao fundo

 

Image Duplicator, 1963, National Gallery, Washington, DC.

 

Image Duplicator, 1963, National Gallery, Washington, DC,

Imagem original de Magneto que Lichtenstein utilizou para criar o seu quadro

Página #15, de Uncanny X-Men #01, 1963, texto de Stan Lee e arte de Jack Kirby

Capa de X-Men #01

Roy Lichtenstein e sua obra, Image Duplicator

Sleeping girl, 1963, National Gallery, Washington, DC.

Sleeping Girl, 1964, Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles

Arte original na qual a obra Sleeping Girl, foi baseada

 

Ohhh…Alright…, 1964, coleção particular

Imagem original e a trabalhada por Lichtenstein em Ohhh…Alright…, de 1964, coleção particular

Há muitas opiniões sobre a arte de Roy Lichtenstein ser menor ou de que o que ele fazia era plágio. Para mim não é menor, é arte conceitual que leva à reflexão. E se formos falar de plágio, esse post não acabaria nunca.

Mais informações sobre Roy Lichtenstein vocês encontram no site de sua fundação, Roy Lichtenstein Foundation.