Quando a IDW resolveu entrar na moda de universos expandidos e unir as licenças da Hasbro em uma só realidade coerente, vou confessar que fiquei um pouco reticente, como muita gente. O que têm a ver Transformers, G.I. Joe, Mask, Micronautas, Rom e Action Man? Como fazer isso funcionar?

Surpreendentemente, a ideia inicial foi muito boa. Hoje, a marca mais valiosa é Transformers, dado o sucesso dos filmes comandados por Michael Bay que renovou a base de fãs. Então resolveram partir da linha do tempo dos robôs alienígenas e daí ir expandindo para agregar essas outras realidades. Em um mundo pego no meio de uma guerra entre Autobots e Decepticons, Optimus Prime declara que a Terra fará parte do Conselho Cybertroniano de Planetas e que está sob sua proteção.

Já falamos aqui um pouco do início da saga. O que causa o conflito entre os personagens é a instabilidade do mineral Orb-13, precioso para os cybertronianos e que vinha causando explosões como a do Monte Olimpo do primeiro número.

Barão Karza causando!

O que vinha deixando o mineral instável era a ação do Barão Karza. O microespaço, de onde ele veio, estava sendo engolido por uma misteriosa nuvem entrópica que ameaçava sua existência. O que o Barão descobriu é que o microespaço havia sido criado por Micronus Prime, cujo corpo era um portal para uma outra dimensão. Vamos chamá-la de Universo Hasbro. Ele descobriu que o Orb-13 era capaz de lentamente estabilizar a nuvem, mas seu transporte causava as explosões. Mas o barão não está agindo sozinho, ele tem a ajuda dos Espectros, que também querem o mineral para si.

O desenrolar da história de John Barber e Cullen Bunn, no entanto, deixa a desejar. A arte de Fico Ossio é bastante confusa principalmente em algumas cenas de batalha, mas ela não é o problema. O que torna essa saga realmente estranha é o comportamento explosivo e por muitas vezes extremado dos personagens.

Já citei nas primeiras impressões o comportamento do grupo G.I. Joe, que não hesita em sair atacando sem buscar maiores informações mesmo Transformers que estão fazendo trabalho humanitário. Cada gesto dos robôs é mal interpretado, cada reação é exagerada.

Da mesma forma, Rom entra no meio de uma batalha, mata algumas pessoas, e, sem achar que precisa dar maiores satisfações, vai embora. Ele se explica mais tarde para Optimus Prime, mas não sem uma briguinha porque… bom, sei lá. Sem contar que ele estava disposto a destruir um universo para tirar o Orb-13 dos Espectros.

Calma lá, pessoal, não podemos conversar?

Miles Manheim, líder do MASK, é uma metralhadora giratória. Ele não hesita, por exemplo, em manter Transformers como Blitzwing e Kup em cativeiro e dissecá-los e torturá-los para conseguir sua tecnologia. No fim, descobre-se que ele também estava trabalhando com os Espectros com o objetivo de dominar o mundo. Ainda que alguns questionem seus métodos, outros veem como ele age e nada fazem, mesmo depois de perceberem que os Transformers são seres conscientes e não máquinas programadas para matar.

Scarlett, agora que você já sabe que eles são seres conscientes, será que isso não dá uma corte marcialzinha?

De fato, a batalha final começa com todos lutando uns contra os outros, e finalmente param de brigar um segundo para se darem conta de que os heróis têm inimigos em comum: Karza e os Espectros. É aí que eles viram amigos e tudo o que foi feito está perdoado.

Céus, o que está acontecendo?

Enfim, a saga toda me pareceu radical e exagerada demais, talvez como uma tentativa de parecer épica, mas a ponto de não conseguir reconhecer alguns personagens. Agora, com o universo compartilhado já estabelecido, vamos esperar que os ânimos fiquem mais tranquilos daqui pra frente.

E o que vem daqui para frente? Transformers parece ter apenas continuado sem maiores alterações. Em G.I. Joe, foi aproveitada a linha do tempo antes do cancelamento pela IDW e Scarlett está no comando da equipe agora, que conta com o Transformer Skywarp. Outros personagens são apresentados com uniformes e personalidades repaginadas.  Aubrey Sitterson, o autor que costuma dizer que o grupo é a joia da coroa da Hasbro, não me cativou logo de cara, mas também torci o nariz para a arte de Giannis Milogiannis e agora já estou gostando. Além disso, achei que talvez eles estejam mirando no público mais jovem dos Bayformers e decidi esperar pra ler mais um pouco antes de tomar uma decisão. As outras séries ainda estão começando a se estabelecer.

Nota: 4,0 Heróis Descontrolados