Atenção: o seguinte review está repleto de spoilers da saga The Button, recém-concluída lá fora e ainda longe de ser publicada no Brasil. Use sua esteira cósmica para deixar esta página ou prossiga por sua conta e risco.

Ao final da edição DC Universe: Rebirth (veja nossa resenha aqui), a única coisa que chamou mais a atenção dos leitores do que a volta de Wally West foi a maneira como conceitos da maxissérie Watchmen foram introduzidos na cronologia regular da editora. Batman encontra o icônico button do Comediante dentro da caverna, sem nenhum motivo ou explicação aparentes e precisa investigar seu significado com o Flash. Tudo que foi deixado implícito é a ligação com Flashpoint, evento que gerou a fase New 52 da editora, e como isso afeta o futuro pós-Rebirth. E talvez até seu passado…

Batman #21: escrita por Tom King, arte por Jason Fabok
Mesmo tendo levado um ano, chegou a hora de Batman investigar o misterioso button. Tudo começa quando o artefato reage à máscara do Pirata Psíquico, gerando um estado de sonhos/alucinações, com direito a vozes misteriosas e à aparição de um super-velocista. Por um instante, o herói vê seu pai, mas é a versão do universo Flashpoint de Thomas Wayne: um Batman assassino, cruel e impiedoso.

Soa familiar.

O problema é que a misteriosa aparição de Thomas Wayne deu abertura para que um velho conhecido do Flash invadisse a caverna: o Professor Zoom, ou Flash Reverso, Eobard Thawne. O vilão do século XXV afirma ter estado morto, mas foi trazido de volta por um grande poder. O Batman, então, toma uma das maiores surras de sua vida e o Flash Reverso desaparece com o button…

“Cadê teu preparo agora?”

…apenas para retornar, segundos depois, com o corpo se desintegrando (de uma maneira muito parecida com o que aconteceu com o Flash em Crise nas Infinitas Terras), mas deixando implícito que encontrou o Dr Manhattan (ou, nas palavras de Zoom, “deus”).

“…Snydeus!”

A história esconde uma série de referências, visuais e textuais, a Watchmen. King não tem pudores de mostrar o Batman apanhando do Flash Reverso e a arte de Fabok é excelente, um Ethan Van Sciver melhorado.

Flash #21: escrita por Joshua Williamson, arte por Howard Porter
O Homem Mais Rápido do Mundo chega atrasado para ajudar o Batman, mas passa a investigar a cena da morte do Flash Reverso de maneira metódica e científica. Ele não deixa de sentir uma certa satisfação pela morte de seu antigo inimigo (lembrando que Thawne matou a mãe de Barry Allen), mas sabe que, quando se trata de viajantes do tempo, a morte não é definitiva.

Inclusive a própria.

O Flash decide, então, usar sua esteira cósmica para seguir a trilha de Zoom. Batman, mesmo não totalmente recuperado da briga, vai junto com ele, pegando carona na esteira. Os dois visitam momentos cruciais do Universo DC, como Crise nas Infinitas Terras, Crise de Identidade e a formação da versão pré-Crise da Liga da Justiça, apenas para… retornar à Batcaverna.

“Bora fazer umas cagadas no continuum.”

Contudo, essa é uma caverna diferente da que eles deixaram para trás. É a versão do universo Flashpoint (que deixa de existir com o surgimento do Universo Novos 52). O que significa que o Batman desse universo, Thomas Wayne, está lá e fica cara-a-cara com seu filho pela primeira vez.

“Filho, essa borda de catupiry amarela no símbolo do seu peito é uma vergonha para nossa família.”

Williamson é um roteirista competente e trabalhou muito bem a dinâmica entre o Batman e o Flash. A arte de Howard Porter mudou bastante, talvez como consequência do acidente em que machucou o polegar com um copo de liquidificador alguns anos atrás. De qualquer forma, ele ainda tenta dar o dinamismo que um gibi do Flash precisa e sua releitura de cenas icônicas é muito bacana.

Batman #22: história de Joshua Williamson e Tom King, arte de Jason Fabok.
Obviamente, a resolução e (algumas) respostas só seriam mostradas na edição final do crossover. Isso faria dessa terceira parte da saga apenas uma encheção de linguiça (e, pra ser honesto, foi bem isso mesmo), com atlantes e amazonas unidos para, por algum motivo que não sabemos explicar melhor, matar Thomas Wayne enquanto ele conversa com o filho e o Flash tenta consertar a esteira cósmica.

“Já falei que não vou pagar pensão!”

No entanto, temos uma frase do velho Thomas que vai ter muitas consequências nas histórias futuras do Cavaleiro das Trevas (quem está acompanhando as edições americanas já sabe do que se trata). É o tipo de coisa que o Tom King vem trabalhando muito bem ao longo do título. Se em alguns momentos ele lembra demais o Scott Snyder, em outros ele consegue inserir elementos realmente relevantes que mostram um planejamento a longo prazo bastante cuidadoso.

Tradução por gaynerdbrasil.com

Essa coragem de fazer o personagem sair da mesmice que vinha em Novos 52 e torná-lo mais humano, fazendo-o evoluir, tem sido a tônica de Rebirth e uma das coisas mais atraentes da atual fase da DC. Já a arte de Jason Fabok não está tão boa quanto na edição anterior, mas ainda assim é ótimo, principalmente no dinamismo que ele dá ao Flash.

Flash #22: história de Joshua Williamson, arte de Howard Porter.
Na cola do Flash Reverso, Batman e o Flash precisam detê-lo antes que… Ah, aquela coisa de gibi. “Você está mexendo com forças além de sua compreensão”, “viagens no tempo são perigosas”, e tal. Mas claro que algumas boas surpresas aparecem aqui: além de Johnny Trovoada, o Flash da Era de Ouro Jay Garrick (o bom e velho “Joel Ciclone”) aparece pra salvar o dia, com lembranças de sua amizade com Barry Allen. E a revelação de como o Flash Reverso foi morto na primeira parte não mostra quem é o responsável, mas deixa pistas claras do que vem por aí. Williamson, novamente, cumpre o que promete e a arte de Porter mantem o mesmo nível.

A história acaba sendo apenas uma ponte entre DC Universe Rebirth e The Doomsday Clock, história prometida por Geoff Johns para explicar qual a ligação de Watchmen com a nova DC. Mas é uma ponte que deixa a gente com vontade de ler não somente suas consequências, como também mergulhar um pouco mais nos outros títulos da editora. Se a linha editorial atual visa resgatar o interesse dos leitores, estão fazendo um ótimo e corajoso trabalho. Fazia muito tempo que não era tão divertido ver esses personagens se metendo em aventuras em escala grandiosa, interagindo sem amargura e, principalmente, lembrando os leitores do porquê começamos a gostar de gibis em primeiro lugar.

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