Cramunhão? Coisa Ruim? Sete-pele? Nada disso, o Hellboy é o herói do filme que estreia nesta semana. Neste texto, falaremos um pouco de como um meio-demônio pode ter virado o mocinho dessa história.

Hellboy nasceu nos quadrinhos, como muitos já sabem. É um personagem relativamente recente se comparado a os clássicos das HQs. Criado por Mike Mignola, fez sua primeira aparição em 1993, na revista San Diego Comic Con Comics nº2, e que já vinha de um rascunho feito pelo quadrinista em uma convenção em Salt Lake dois anos antes. 

Na história, o simpático meio-demônio nasceu como Anung Un Rama, filho da bruxa Sarah Huges e um demônio chamado Azzael. Sarah tentou se arrepender de sua vida de pecados no leito de morte, mas Azzael a levou para o inferno e colocou fogo nela para que o bebê pudesse nascer. Ele também decepou o braço do infante, para colocar em seu lugar o Braço Direito da Perdição, uma manopla indestrutível com textura de pedra. Sujeito simpático. Quando sabem o que aconteceu, os outros príncipes do inferno tiram os poderes de Azzael e o prendem no gelo.

No fim da Segunda Guerra Mundial, o regime nazista alemão resolve usar o ocultismo para criar armas apocalípticas que pudessem reverter a guerra a seu favor. Eles recrutam ninguém menos que o mitológico sacerdote russo imortal Gregori Rasputin para essa tarefa, que por sua vez coloca em prática sua própria agenda de causar o apocalipse para iniciar o novo Éden. O plano era conjurar uma chave que causaria esse apocalipse. O problema é que a chave, chamada de Braço Direito da Perdição, veio grudada em um pequeno meio-demônio. Só que esse não foi o único problema.

Uma bela demonstração de como não se deve julgar um livro pela capa.

O outro foi que Hellboy não aparece na ilha de Tarmangant, onde Rasputin desenvolve o ritual, mas em uma igreja de East Bromwich de onde sua mãe fora levada pelo seu pai para o inferno. Lá, ele é resgatado pelas Forças Aliadas e pelo Professor Trevor Buttenholm, que o cria em uma base militar no Novo México, EUA, e que ajuda a fundar o Bureau de Pesquisas e Defesa Paranormal. Lá, o meio-demônio aprende a enfrentar as forças das trevas, eventualmente entrando para o Bureau.

Ajudado por seus companheiros de equipe, Kate Corrigan, uma professora de folclore da Universidade de Nova York, Abe Sapien, um humanoide anfíbio, e Liz Sherman, uma pirocinética, Hellboy enfrenta vampiros, lobisomens, fantasmas, monstros e outras criaturas maléficas. Entre seus poderes, estão superforça, resistência a ferimentos e cura acelerada.

O Bureau em ação.

Hellboy já está em sua segunda adaptação cinematográfica com pouco mais de 25 anos de carreira, apenas, mas seu sucesso não chega a ser estranho. Mesmo tendo nascido nas profundezas do inferno, o herói tem uma aura cool e um carisma que pode em grande parte ser atribuído ao traço e bons diálogos do texto de Mignola. A versão de Guillermo del Toro agradou fãs e críticos, mas não conseguiu fazer uma bilheteria realmente empolgante. Será que a nova versão nas telonas vai finalmente apresentar o personagem ao grande público? Saberemos nas próximas semanas.