Recebi alguns dias atrás o gibi Prisma Negro, de Andy Corsant. A primeira coisa é pedir desculpas ao autor pela demora em escrever a resenha (se isso ajuda, tenho parentes em Santa Catarina, o estado mais bonito do Sul do Brasil). Mas o tempo me permitiu ler a obra mais de uma vez, sempre procurando um insight novo, algo que me ajudasse a mergulhar em sua proposta. Não perdi meu tempo.

Com um belo acabamento gráfico, o gibi chama a atenção por ter uma arte limpa, homogênea e de bastante qualidade. Não há excessos nem exageros. O roteiro apresenta três jovens, Lina, Olavo e Cícero, que recebem de um estranho três arquivos em mp3. São músicas, cujas letras os levam a uma jornada de auto-conhecimento e amadurecimento e, mesmo sem aparentar nada em comum, os três acabam se encontrando e percebendo que podem ter uma missão juntos.

Ainda que as estranhas circunstâncias que os unem pareçam pouco explicadas, elas fazem sentido ao longo da narrativa, que une música e introspecção em momentos difíceis da vida. Quem nunca usou letras de músicas para expressar seus sentimentos, ou como um espelho onde pudesse se enxergar melhor? Ou talvez até, a partir daí, tomar uma decisão difícil, lidar com a pressão do dia a dia, superar o fim de um relacionamento, encontrar forças para mudar, encarar o trabalho, estudar? Não mais como um espelho, mas como um… prisma. Capaz de dividir a luz em seus diversos aspectos, mostrando novas cores a cada análise que fazemos. Como a letra de uma música que ouvimos diversas vezes, em momentos diferentes de nossas vidas. É um sentimento universal e muito bem abordado aqui.

A produção gráfica é muito boa, pecando somente por não ter mais informações sobre o autor. De qualquer forma, Andy sempre se mostrou acessível e bastante simpático (isso tem um pouco a ver com o fato de eu ter atrasado a resenha…). Você pode contatá-lo por email, Facebook (perfil ou fanpage) ou blog.

O autor é muito promissor, tanto pela sensibilidade com que lida com temas delicados como pelo empenho que mostra na produção e divulgação de seu trabalho. Não vou achar nem um pouco estranho se Andy Corsant alçar voos mais altos num futuro próximo e, com certeza, será tão bem sucedido quanto o resultado final de Prisma Negro.

Prisma Negro – HQ independente, 48 páginas, impressa em Offset com capa colorida em couchê 170g, miolo em sulfite 90g PB, tamanho fechado 15,5×22,5cm.

Uma menina precocemente grávida de um rapaz ainda mais jovem e incapaz de assumir a paternidade. Em uma conceituada escola de segundo grau, um aluno é repetente por perseguição de um professor arrogante. O namoro dissolvido faz um garoto rejeitado sofrer pesadas agruras. Vivendo seus dilemas pessoais solitariamente, esses três adolescentes serão unidos por forças obscuras, responsáveis por fazê-los experimentar estranhas distorções na realidade e nos cursos de suas vidas.

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