Na edição número 940 da atual continuidade da revista Detective Comics, vemos o brilhante jovem Tim Drake ser submetido a uma morte brutal. Vamos aproveitar a ocasião para lembrar todos os Robins que caíram em ação.

Ok, ok, ele não estava lá bem morto no fim das contas. Mas, nos quadrinhos, quem está, né? O HQ Café interceptou com exclusividade um Whatsapp enviado de Tim para o grupo dos Novos Titãs:

Oi, galera, morri! #SQN kkkkkkkkk! #QuemNunca? Balada hj?

Tim se sacrificou. Na história criada por James Tynion IV e Eddy Barrows, para salvar centenas de pessoas de uma infinidade de drones assassinos, o jovem hacker os reprograma para que seja o único alvo dessas máquinas. Foi uma morte nobre, ainda mais porque ele não sabia que seria salvo no último momento por um ser misterioso, mas nenhuma novidade na família Batman. Na verdade, a taxa de mortalidade dos Robins supera os 83% na linha do tempo oficial da DC (contando a fase pré-Flashpoint). Vamos recapitular um pouco sobre o emprego mais perigoso dos quadrinhos.

O personagem estreou na Detective Comics número 38, publicada em 1940, apenas um ano depois da primeira aparição de Batman. Foi criado por Jerry Robinson, Bob Kane e Bill Finger para trazer um apelo mais juvenil às histórias do Homem Morcego, e a resposta nas vendas das revistas foi imediata. O primeiro a vestir a capa, Dick Grayson, é o único que segue sem bater as botas até hoje.

Coringa, seu FDP...

Coringa, seu FDP…

Já o segundo Menino Prodígio não teve tanta sorte. Em uma das histórias mais marcantes do Homem Morcego, Jason Todd é espancado pelo Coringa, que depois explode a casa em que ele estava. Morte em Família foi criada por Jim Starlin e Jim Aparo e teve seu final decidido pelo público em 1988. O contexto era contrário àquele da criação do personagem, e os leitores demandavam mais seriedade e um tom mais adulto nos quadrinhos.

Depois de Jason, Bruce Wayne parou de adotar seus ajudantes. Um terceiro Robin foi introduzido já em 1989, dessa vez mais sóbrio, não era chegado de roupas curtas nem a se intrometer em todas as missões do Batman. Esse era Tim Drake, a razão deste post.  Sejamos justos em afirmar que, na cronologia dos Novos 52, Tim nunca chegou a assumir o manto diretamente. Ainda assim, era o Robin Vermelho.

Stephanie realmente apanhou do Caveira Negra, mas a morte foi só de brincadeirinha

Stephanie realmente apanhou do Caveira Negra, mas a morte foi só de brincadeirinha

O quarto Robin foi uma garota e teve passagem relâmpago pela carreira, e por isso alguns nem a consideram como tal. O próprio Batman nem chegou a erguer um memorial a ela na Batcaverna. Stephanie Brown morreu torturada pelo vilão Máscara Negra, link aqui, mas claro que ela estava bem vivinha, e tudo foi um esquema elaborado para que sua recém revelada identidade secreta não servisse de arma para os inimigos do Homem Morcego. Obviamente, Bruce já desconfiava de tudo (afinal, ele é o Batman) e por isso não ergueu o memorial. Stephanie também foi a Salteadora e a Batgirl, e sua fase como Robin também foi apagada da existência depois dos eventos de Flashpoint.

Damien Wayne, filho de Bruce e Talia.

Damien Wayne, filho de Bruce e Talia.

E chegamos ao sexto Robin, o único a ser filho biológico de Bruce Wayne, Damian. Criado pela mãe Talia Al Ghul e treinado pela Liga das Sombras, no início era violento e temperamental, como era de se esperar com essa criação. O pequeno Wayne encontrou seu fim nas mãos de um clone a mando da própria mãe.

Mesmo que depois tenham voltado, cinco dos seis Robins já chegaram a morrer ou ao menos chegaram bem perto. Quem sabe não esteja na hora do Batman começar a pensar em não escolher crianças para um trabalho tão perigoso. Ao menos de não colocá-los pra vestir amarelo, vermelho e verde enquanto ele próprio se disfarça nas sombras de cinza e preto.

Mas brincadeiras à parte, a DC acaba se perdendo em 75 anos de cronologia sem poder envelhecer demais o Batman e ao mesmo tempo acumulando Robins no que acaba sendo um marco temporal. A opção de matá-los, talvez numa tentativa de recriar o momento trágico de Morte em Família, acaba tendo o efeito contrário: a cada nova morte, menos impacto ela tem.

timmy