A cada dia, um novo projeto dos quadrinhos nacionais parece surgir, mostrando não apenas que o mercado brasileiro tem uma demanda grande por novos (e melhores) gibis, mas também que temos uma capacidade de produção de altíssima qualidade.

Um bom exemplo é o projeto PROTETORES NACIONAIS: agentes que cuidam dos problemas envolvendo superatividades no território nacional. Orientados por um cientista em busca de redenção, os PROTETORES NACIONAIS estão destinados a se tornar a maior equipe de heróis do Brasil… ou morrer tentando!

Mas o que realmente chama a atenção no projeto é o esforço dos autores para que a identificação dos personagens como brasileiros seja forte e válida. Utilizando elementos culturais, sociais, políticos e econômicos de nosso país, foi criada uma personalidade própria, com um histórico que chega à sua terceira geração. Isso mesmo! Dentro do contexto de PROTETORES NACIONAIS, esta será a terceira geração de super-heróis brasileiros!

A HQ PROTETORES NACIONAIS oferece seu conteúdo a um público-alvo específico, buscando parcerias para viabilizar o projeto dentro de critérios bem estabelecidos e que garantam vantagens a todos que quiserem associar sua marca. Escrito por Cleiton Maggio, com arte por Lieh Pena, com o casal João Junior e Ana Paula provendo cores e organização de marketing, o objetivo é colocar quadrinhos de heróis brasileiros à altura dos americanos.

O álbum já está em fase final e, nos próximos meses, o projeto chega ao Catarse numa campanha que conta com o apoio de todos os fãs e criadores e quadrinhos nacionais. Mais uma iniciativa que chega pra fortalecer o mercado!

Conversamos com os autores de PROTETORES NACIONAIS e, num rápido bate-bola, já conseguimos antever o que podemos esperar desse projeto!

HQ Café: Cleiton, você já editou um site de fanfiction e lançou seu primeiro livro infanto-juvenil, “A Jornada de Zamba”, em 2011. O que é mais difícil? Lançar seu livro ou publicar uma HQ no Brasil?
Cleiton Maggio: Publicar HQ de Super-heróis no Brasil com certeza! Porque de certa forma os quadrinhos americanos suprem as demandas do mercado, mercado esse cada vez mais segmentado e fidelizado por décadas e décadas de histórias com personagens icônicos. Contudo vivemos um momento excepcional para a produção artística nacional com vários projetos de quadrinhos brasileiros e “Os Protetores Nacionais” são resultado destes incríveis novos tempos.

HQC: Você gosta de poesia e cordel mas, dentro dos quadrinhos, quais são seus ídolos e suas referências?
CM: Sou um fruto dos quadrinhos de Super-heróis dos anos 80. Moore, Miller, Claremont, Gaiman, Starlin, Gruenwald… são os caras que fizeram nascer minha paixão pelos quadrinhos, certo que essas referências se ampliaram ao longo dos anos, Busiek, Grant Morrison, Millar, Hickman, entre outros, mas tal qual aquela velha foto da primeira namorada guardada entre papéis antigos, são a eles que volto para entender de onde vem o amor que se renova sempre por essa arte maravilhosa.

HQC: Lieh, você cita influências bem diversas no seu traço, mas o que você acha fundamental para um artista brasileiro conseguir cair no gosto do público?
Lieh Pena: O artista brasileiro, antes de tudo, precisa ser muito habilidoso. É necessário que ele alcance o mercado americano; isso é como uma espécie de índice de aprovação, por ser um mercado de grandes nomes (e é claro que ele quer estar nesse meio). Por fim, não somente para cair no gosto do público, mas se manter também, ele precisa ter identidade em sua arte. O mercado de quadrinhos como quase tudo na vida requer dele reciclagem constante.

HQC: João, você acha que os quadrinhos no Brasil ainda são um ambiente hostil, um “gargalo” por onde apenas alguns poucos conseguem entrar, ou o panorama já está mudando?
João Junior: No Brasil entrar no mundo dos quadrinhos era algo para poucos. Mas o ambiente tem mudado drasticamente e um grande apoio para isto ter acontecido foi o advento das redes sociais; hoje o material pode ser destinado às pessoas certas e é possível se comunicar melhor com esse público, coisa que antes não era concebida nem em sonhos. Hoje, vemos tanto material bacana sendo desenvolvido e ganhando visibilidade, acompanhados de tantos eventos e comic cons, algo que antes era difícil de se imaginar.

Falar que as coisas hoje são difíceis e ainda estão ruins, é ser imprudente; pois, para nós que trabalhamos em comunicação, por exemplo, vemos o quão fácil é estabelecer uma relação com o público e divulgar esse material pra ele. O diferencial nessa equação se torna a qualidade do material.

Não existe uma fórmula definida para o sucesso, pois o Marketing não é linear, mas existem alguns meios para alcançar esse tão sonhado local.

HQC: Ana, como você vê a aceitação dos quadrinhos produzidos no Brasil atualmente? Há preconceito do público? Como fazer uma publicação alcançar uma audiência maior?
Ana Paula: Quando se fala a respeito dos quadrinhos no Brasil podemos ver uma história que tem sido escrita pacientemente ao longo dos anos. De alguns anos para cá, pudemos acompanhar o crescimento e reconhecimento dos autores nacionais, não só aqui, mas, também fora do País. Não poderia deixar de mencionar neste momento um dos grandes nomes e responsáveis pela popularização dos quadrinhos no Brasil, Mauricio de Sousa; que nos últimos anos, emplacou mais um sucesso no mercado (as graphic MSP) que, sem dúvidas, têm sido uma grande oportunidade para autores, desenhistas e coloristas nacionais mostrarem seus trabalhos.

Com o passar dos anos a aceitação e o consumo de quadrinhos brasileiros cresceu. Não só pelo fato de o mercado ter amadurecido, através do lançamento de publicações de sucesso, como mencionado anteriormente, mas também com a facilitação ao acesso desse material. Hoje em dia é bem mais acessível o lançamento de quadrinhos independentes e o consumo deste material por parte do público do que era há alguns anos. Muito disso se deve à popularização da tecnologia, grande aliada no momento de lançar um produto no mercado: com ela, é possível não só conhecer melhor o seu público (e criar um relacionamento direto com ele) mas também saber o que ele está achando do material que se está desenvolvendo. Essa experimentação por parte do público faz com que o conteúdo tenha uma chance de sucesso muito maior, uma vez que já terá passado pela aprovação, ou não, das pessoas. Aproveito o gancho para falar a respeito da última pergunta: certamente, não existe uma fórmula mágica pra se obter sucesso em uma publicação, mas, este é um resultado que depende de um trabalho árduo e bem feito, que hoje conta com grandes aliadas que são as redes sociais. Canais diretos com quem mais interessa para o seu projeto!

A respeito do preconceito no mundo dos quadrinhos, infelizmente, ele ainda está presente em diversos aspectos, mas vejo que isso também é algo que tem evoluído bastante nos últimos anos. Ainda há um certo receio por parte de algumas pessoas no consumo de materiais produzidos no Brasil, mas acredito que grande parte disso venha do desconhecimento, e, em certo ponto, até mesmo desinteresse do público a respeito do material que está mercado; por isso é tão importante o incentivo ao conhecimento destes materiais.

Você pode encontrar os protetores nacionais na internet:
www.protetoresnacionais.com
@protetoresnacionais
contato@protetoresnacionais.com

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