O Desafiador, Deadman no original, apareceu pela primeira vez em Strange Adventures, #205, vol 01, em outubro de 1967. Sua história de estreia foi a intitulada Who has been lying in my Grave? algo como “quem está lucrando com o meu trabalho? em tradução livre feita pelo Mago Raul Kuk. A história foi escrita por Arnold Drake, desenhada pelo Mito Carmine Infantino, arte finalizada por George Roussos e editada por Jack Miller.

Capa de Stranger Adventures, #205.

 

No original o nome do Desafiador é Deadman, Homem Morto, acho que nesta primeira história essa tradução atrapalha, afinal o público ia ao circo ver o Homem Morto que desafiava a morte. Particularmente acho Desafiador mais legal…

Na trama o trapezista Boston Brand é assassinado durante sua performance por um assaltante misterioso conhecido como o Hook. Atingido no peito, seu corpo cai no meio do picadeiro uma vez que Brand não usava a rede de proteção. O traje vermelho e a maquiagem cadavérica era a fantasia que Brand usava para lembrar um fantasma.

 

Boston, antes da apresentação, se mostra um pé no saco e cria-caso, com razão ou não, com todos os personagens que aparecem na história. Uma personalidade autocentrada, egoísta e soberba, que trata a todos com desprezo, incluindo o público que vai assisti-lo, a quem Boston dizia que iam ao Hill’s Circus apenas para ver se ele iria cair e morrer. Boston trata mal inclusive seu par romântico, a Lorna Hill, a dona do circo que o herdou de seu pai.

 

Mesmo com esse comportamento o faquir hindu, Vashu, que trabalha no circo, diz a Brand que a deusa Rama Kushna possui algo maior para ele em seu destino.

Logo após ser atingido pelo tiro, Boston, apesar de “cair” no picadeiro, acredita que está vivo, porém ele ouve uma voz que diz que ele morreu há três minutos. Sem entender o que acontece, ele segue para fora do circo. Apesar de sentir a chuva caindo sobre seu rosto, Boston nota que sua mão atravessa um rato do circo, rato este que em seguida fala (sim, fala!) que ele não está vivo. Em seguida uma árvore diz ser a deusa Rama Kushna e fala para Boston que lhe dará poderes para caminhar entre os homens para que ele possa encontrar seus assassinos. Vashu estava certo…

Sem querer acreditar, Boston caminha até encontrar um colega do circo Hill, Tiny, e ao tentar tocá-lo, ele nota pode possuir o seu corpo, entendo o que a deusa Rama havia dito sobre caminhar entre os homens.

As histórias do Desafiador sempre me fascinaram, e passei anos procurando todas as edições de Dark Heroes (que ainda não tenho), da Brainstore Editora, com as histórias do Desafiador. Na minha outra vida, na infância, eu li, reli, treli a minissérie Deadman – Amor Após A Morte, da Editora Abril, publicada em 1990. Ok, eu não era mais criança nessa época, mas quero reforçar que qualquer história que eu soubesse que ele aparecia, eu iria ler, reler e treler.

 

Acho que a primeira história que li dele foi a que o irmão dele morre. Como? Bem, o irmão de Boston Brand também era trapezista. Brand ocupa o corpo dele e vai apresentar o seu número de trapézio, mas antes pede para retirarem a rede de proteção; autocentrado? egoísta? E novamente alguém atira e mata o irmão do Boston, que não recebe os mesmos poderes e vai para o além, mas não sem antes dizer para Boston o quão mesquinho ele era. Quem sabe se a rede estivesse lá ele não poderia ser salvo? Então, faz tempo que li, acho que foi assim, mas vejam, ele foi soberbo novamente. Se alguém souber onde saiu essa história me avise que eu não me lembro mais em que revista saiu. Por favor.

Sobre a história de estreia dele, não vou contar o final. Se quiserem escrevam aí nos comentários que publico. Acho.

Mas mexam-se e vão atrás das histórias do Desafiador, as mais antigas, com ele solitário e atormentado. Uma alma sozinha em busca de paz que te passa a sensação que está sofrendo como uma criança perdida. As mais novas não me apeteceram, ele aparece como um fantasma bobão.

Todas as honras a Rama Kusna!