Michael Cane. Foto: Joe Pugliese (Hollywood Reporter)Michael Caine Explica
"Degustação" é a coluna do HQCafé em que um de nossos intrépidos colaboradores analisam o primeiro número de um gibi mensal (ou início de um arco) em publicação. A ideia é simular a velha ida à banca da esquina, folhear uma revista e decidir se quer ler mais. O material será escolhido de forma aleatória, por sugestões em sites ou por indicação dos nossos leitores. Ao final, o leitor dá seu veredito:

Para a Estante: fisgado! vai acompanhar a série regularmente
Segunda Chance: talvez depois de mais uma ou duas edições...
Para a Lixeira: é, não foi dessa vez. Vamos passar para o próximo.

Quando o Fábio Ochôa propôs no HQCafé uma espécie de “Desafio Literário” para que cada um lesse uma publicação mensal nova de HQs, confesso que achei uma das ideias mais nerds que já ouvi na vida. É claro que embarquei na hora.

Mas como escolher uma série entre as centenas publicadas nos EUA e aqui, muitas delas facilmente disponíveis por via digital? Se para o leitor antigo o problema era o acesso ao material estrangeiro, hoje a questão é como encontrar “pérolas” dos quadrinhos nesse gigantesco manancial.

Resolvi fugir das “duas grandes” e partir para publicações menos conhecidas. Que tal as da IDW? Quarta maior editora de HQs dos EUA, a IDW é especializada em franquias licenciadas, como Comandos em Ação Transformers. Eis que descubro que uma de suas mais recentes séries é Highlander: The American Dream, prequel do sucesso homônimo dos cinemas na década de 80 (é que teve CINCO continuações e uma constrangedora série de TV – que assisti regularmente até que alguém botou a mão na consciência e tirou da programação brasileira).

Eu costumo fugir de adaptações em quadrinhos de filmes. Normalmente não passam de caça-níqueis para atrair os fãs, sem trazer qualquer inovação ou mesmo uma boa repetição do material original. Mas como estamos falando da Degustação, vai que essa é uma ótima exceção?

Infelizmente, não.

Highlander: The America Dream se passa pouco tempo antes dos eventos do filme e, pelo que se supõe da primeira edição, mostrará highlander Connor McLoud (muito pouco parecido com o estrábico Christopher Lambert) em um encontro final com outros dois imortais: seu amigo Para Vasilek, um monge do leste europeu, e o vilão John Hooke.

O roteirista Brian Buckley (que pelo que entendi é escritor de livros sem experiência com HQs) traz uma história arrastada, com MUITOS diálogos. Algo como as “cabeças falantes” de Bendis, mas sem as tiradas bacanas. Basicamente somos apresentados aos elementos conhecidos da mitologia da franquia: haverá um Encontro de Imortais, só pode haver um, os​ vencedor ganhara o Prêmio, podendo levar a humanidade para a Luz ou condena-la às Trevas.

A primeira edição até tenta indicar algum mistério, dando a entender que McCloud tem um passado sombrio (o que não é mostrado no flashback da Guerra Civil Americana) e que há MiBs atrás dos imortais, mas nada que despertou minha curiosidade.

Apesar de uma capa bem interessante que imita um poster de filme, a arte de Andrea Mutti no restante da edição é bem limitada e os personagens parecem sempre estáticos (mesmo nas poucas cenas de combate). Talvez o trabalho de Mutti fosse o suficiente se a história fosse envolvente, o que definitivamente não é caso.

Infelizmente, a edição é bastante esquecível e não vale à pena nem para os fãs mais ardorosos da franquia, salvo por puro fetichismo. Para mim, só serviu para relembrar de assistir Highlander novamente um dia desses, e rever os fantásticos duelos de imortais ao som de Queen.

VEREDITO: Reciclagem

 

 

 

 

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