DC e Marvel. Duas editoras que definiram o que hoje conhecemos como super-heróis. Estão por aí desde os anos 30. Compartilharam artistas e autores, ditaram tendências, se desentenderam e fizeram crossovers. Hoje, promovem uma briga de cachorro grande fazendo dinheiro em um território que poucos conseguem: o cinema.

Qualquer fã de quadrinhos já teve em algum ponto a discussão sobre quem é melhor: Superman ou Capitão América? Batman ou Homem-Aranha? Mulher Maravilha ou Thor? Tenho certeza que você tem a resposta na ponta da língua (todo mundo tem a sua). Hoje, essa discussão deixou de ser uma brincadeira na hora do recreio e virou coisa séria com a expansão de público natural do sucesso em Hollywood e porque… bem… porque tudo hoje em dia vira discussão séria. Não entraremos aqui no mérito de qual personagem é melhor (até porque, como o Juliano sempre nos lembra, é o Batman), então vamos deixar nossas opiniões pessoais de lado e falar do que interessa: dinheiro!

Quando estamos falando de filmes, já não estamos mais nos referindo a DC e Marvel, mas sim às suas donas, Warner e Disney, respectivamente. Vamos dar uma olhadinha nas bilheterias dos filmes de super-heróis de 2016 segundo o Box Office Mojo e ver como eles se saíram:

Capitão América: Guerra Civil (Disney) – US$ 1,153 bilhão
Batman v Superman: A Origem da Justiça (Warner Bros.) – US$ 873 milhões
Deadpool (Fox) – US$ 783 milhões
Esquadrão Suicida (Warner Bros.) – US$ 746 milhões
Doutor Estranho (Disney) – US$ 670 milhões
X-Men: Apocalypse (Fox) – US$ 544 milhões

Michael Cane. Foto: Joe Pugliese (Hollywood Reporter)Michael Cane Explica
Neste texto, falaremos muito que tal filme valeu a pena porque lucrou tanto, custou tanto e etc. Mas o que faz um filme valer a pena?

Essa é uma pergunta muito, muito complicada. Tem que se levar em conta o custo de produção, o gasto com marketing (que varia, é muito difuso e nem os estúdios sabem exatamente o quanto gastam, sem contar que devem ser incluídos aí uns gastos não publicáveis), a divisão com investidores e cinemas, o fato de que a bilheteria fora dos EUA garante uma parte menor para o estúdio na divisão. Além disso, também tem o lucro em home video e merchandising (brinquedos, mochilas, figurinhas, etc.).

Os estúdios também não costumam abrir o jogo sobre se tal filme valeu a pena ou não. Então o que estamos levando em consideração neste texto? Principalmente as notícias que saíram depois dos lançamentos, e declarações de pessoas que trabalharam nos filmes, além de uma certa ponderação nos números e, claro, a inflação em todo o período analisado.

À primeira vista, um desavisado poderia achar esse método displicente e preguiçoso. Ele teria razão.

Se eu tivesse uma máquina do tempo e pudesse voltar até 1989 para fazer um bolão com meus amigos pra saber quem faria mais dinheiro em uma bilheteria: um filme com o Batman, o Superman e participação especial da Mulher Maravilha; ou um com o Capitão América, Homem de Ferro e participação do Homem-Aranha, certamente eu teria ganho muitas figurinhas do Ploc Monsters (apesar de que seria uma coisa muito mesquinha de se fazer se eu tivesse uma máquina do tempo…). Também é preciso considerar que o ousado Deadpool, de censura 18 anos, não só ficou atrás apenas de Capitão América e Batman v Superman, como ainda ficou à frente deste último na bilheteria dos EUA.

Meu ponto é que seja você um dcnauta ou marvete, um fato é muito claro: até os anos oitenta, a Marvel estava muito atrás da DC em cinema e televisão. A editora pioneira no campo dos super-heróis estava na mente mesmo de pessoas que não conheciam quadrinhos, tendo em seu histórico a série kitsch do Batman nos anos 60, o desenho dos Superamigos, os filmes com Christopher Reeve e o filme Batman de Tim Burton. Não que a Marvel já não fosse conhecida. Quem não se lembra do seriado do Hulk ou do Homem-Aranha? Mas a DC fazia muito mais sucesso com o grande público.

Mas isso começou a mudar com os X-Men no fim dos anos 90. Vamos contar aqui um pouco de como isso aconteceu e o ponto divisor que foi essa década para a Marvel.

Neste córner: Marvel/Disney

Começaram bem a década com as vendas de X-Men (impulsionado pelo bem-sucedido run de 16 anos de Chris Claremont na autoria) e Homem-Aranha em alta, e foi quando descobriram um macete de colocar cinco cards diferentes nas revistas da X-Force, o que fazia com que os fãs comprassem cinco vezes a mesma revista só para ter cada card nela fechada, e mais uma para abrir. Eram as editoras descobrindo até onde um nerd pode ir pelo seu colecionável (alguém aí mencionou capas variantes?).

Perelman criou a bolha e trouxe a solução

Com o mercado favorável, o dono da Marvel na época, Ron Perelman, abriu o capital da empresa em 1991 prometendo aos investidores que os colecionadores gastariam uma porção cada vez maior da sua renda em gibis, já que a empresa aumentaria o preço e a quantidade de títulos derivados. O que ele não percebeu é que até nerds têm limite de consumo e acabou criando uma bolha. Com uma infinidade de revistas caça-níquel, a percepção de qualidade foi morro abaixo e, combinada aos preços altíssimos no mercado, a editora já começou a naufragar lá por 1993, em uma crise que chegou a derrubar em 70% as vendas.

Em 1995, com a situação fugindo ao controle, Perelman decidiu criar a Marvel Studios como estratégia para sair do buraco, buscando a expansão dos personagens no cinema, aproveitando-se que a posse dos direitos de muitos personagens finalmente estavam se desenrolando na justiça. Como os investidores estavam reticentes, ele teve que abrir falência para ter poderes para colocar o plano em prática, mas foi contestado em uma batalha de poder interna que se arrastou até 1998, quando foi afastado em uma vitória de Avi Arad e Isaac Perlmuter.

Arad foi o produtor-executivo da animação de 1993 dos X-Men pela Fox Kids, e fechou contrato, no mesmo ano, com a 20th Century Fox para a produção do filme dos mutantes. E foi sob o seu comando que a Marvel Studios produziu Blade – O Caçador de Vampiros, distribuído pela New Line em 1998. Depois de muito tentar convencer investidores do potencial cinematográfico dos personagens, o sucesso deste filme fez os filhos do átomo finalmente acelerarem a produção na Fox e o contrato com a Sony para o Homem-Aranha ser fechado.

Blade é quadrinho? Caramba…

Se o sucesso de Blade foi importante, ele se apoiou em uma onda de vampiros da época (que também contou com títulos como Entrevista Com Vampiro, de 1994, e Buffy – A Caça-Vampiros, de 1997 a 2001) e no carisma do protagonista Wesley Snipes. Pouca gente que entrava no cinema para assistir o filme tinha consciência de que estavam vendo um personagem de quadrinhos. A produção de X-Men ou Homem-Aranha, portanto, ainda era considerada um negócio de risco, e a Marvel tinha um poder de barganha muito limitado com a empresa em baixa como estava. Isso quer dizer que a Casa das Ideias ainda ficava com uma parte muito pequena do que sobrava.

Mais do que isso, aparentemente, as produtoras teriam os direitos de adaptação dos personagens indefinidamente se continuassem a lançar filmes a cada determinado período de tempo. Hoje, a Fox já abriu mão dos direitos do Demolidor, mas ainda tem os de X-Men e Quarteto Fantástico, garantindo um bom troco em cada lançamento, mas com qualidade nem sempre das melhores. Já a Sony, que havia saturado o mercado com filmes do Homem-Aranha, acabou concordando em entrar em acordo para fazer o Cabeça-de-Teia participar do Universo Cinematográfico Marvel (UCM).

E como foi criado o UCM? Apesar de parecer draconiano hoje, o contrato foi realista à época e permitiu que a Marvel se reerguesse até um ponto que um agente de talentos chamado David Maisel propôs a Perlmutter que a empresa bancasse seus próprios filmes, com um universo comum e histórias que se cruzassem. A melhor parte é que eles passariam a ficar com todo o lucro.

Não tinha como dar errado.

Em um negócio muito arriscado, a Marvel conseguiu um empréstimo com o banco Marryll Lynch oferecendo seus principais personagens como garantia de pagamento, mas que permitiu que ela colocasse em produção o Homem de Ferro, que arrecadou US$585 milhões e permitiu que o Universo Cinematográfico da Marvel seguisse adiante. Em 2007, Kevin Feige, jovem que havia feito parte de vários filmes da Casa das Ideias até então, se tornou presidente da Marvel Studios.

Entendendo que a Marvel tinha um plano sólido e marcas valiosas nas mãos, a Disney a comprou, porteira fechada, por US$4,3 bilhões em 2009. Desde então lançam uns dois filmes por ano sem grandes tropeços, mantendo sempre seu foco maior em um universo compartilhado. Hoje, até personagens secundários como Homem-Formiga, Guardiões da Galáxia e Doutor Estranho são protagonistas de grandes blockbusters. Algumas críticas já surgem de que a fórmula dos filmes seria repetitiva, mas o bom momento da editora nos cinemas parece não estar perto de acabar.

Estamos aqui falando de uma empresa que foi da falência e, em menos de 15 anos, conseguiu não só sair do atoleiro, mas virar referência para a poderosa Distinta Concorrência. Tudo fruto de muito planejamento e esforço.

E neste córner, DC/Warner Bros.

E a DC, o que estava fazendo nesse meio tempo? Pode-se dizer que foi bastante instável. Enquanto Batman dirigido por Tim Burton arrecadou US$411 milhões mundialmente, Batman: O Retorno, mais autoral, fez US$ 267 milhões em 1992, um número que não seria ruim, se não fosse a queda. Isso foi o suficiente para a Warner Bros. querer dar uma mexida, fazer o próximo filme menos sombrio e mais alegre.

Vergonha alheia, não tinha como ser pior!

Burton, que não é bobo, pulou fora. Chamaram então Joel Schumacher com a missão de entregar uma película que vendesse brinquedos. Em 1995, Batman Eternamente arrecadou US$367 milhões, mas a avaliação da crítica não foi amigável. No Rotten Tomatoes, a nota da crítica caiu de 73% em O Retorno para 33% em Eternamente. As verdinhas, no entanto, continuavam entrando, e a produtora autorizou a produção de Batman & Robin. Além disso, também deram o OK para um filme chamado Superman Lives, que seria dirigido por Tim Burton e estrelado por Nicholas Cage, com roteiro de Kevin Smith.

O novo filme de Schumacher estreou muito bem, mas foi recebido por críticas impiedosas (além de sinceras) e teve uma queda de 63% de arrecadação na segunda semana, fazendo um total de US$238 milhões.

Ok, tinha, sim…

Novamente, não foi uma arrecadação tão ruim assim com um orçamento de US$125 milhões, mas foi suficiente para que o pânico se instalasse nos corredores da Warner Bros., e os filmes do Homem-Morcego voltassem para a prancheta. Diante do insucesso dessa e de outras empreitadas, o estúdio resolveu adiar Superman Lives por tempo indeterminado, apesar de já ter gasto aproximadamente US$30 milhões na pré-produção.

Durante o tempo que ficou na gaveta, o novo filme do Batman chegou a ficar nas mãos de Darren Aronofsky e Frank Miller adaptando Ano Um, mas foi só em 2005 que Christopher Nolan lançou Batman Begins, início de sua elogiada e bem-sucedida trilogia, sendo que O Cavaleiro das Trevas e O Cavaleiro das Trevas Ressurge passaram da marca do bilhão nas bilheterias cada. Esses filmes e os de Harry Potter mantiveram a Warner Bros. em uma situação bastante confortável na primeira década do século XXI.

Isso desencalhou também o lançamento de Superman: O Retorno, que não foi mal nas bilheterias (arrecadou US$391 milhões), mas, pesando que o seu custo somava as produções naufragadas em um total de US$ 270 milhões, e que foi criticado pela falta de cenas de ação, não rendeu continuações. Além disso, houve o grande desastre do Lanterna Verde, que em 2011 custou US$200 milhões e não chegou aos US$220 no mundo inteiro.

Depois disso, a Warner Bros. estava órfã tanto do Harry Potter quanto do Chris Nolan. Decididos a arrumar a casa, pediram ajuda ao considerado visionário diretor de 300, Zack Snyder. Além deste filme, ele havia dirigido Watchmen, também sobre super-heróis e também da DC, que custou US$130 milhões e arrecadou somente US$ 185 milhões, mas deve ter agradado, porque foi colocado na cadeira de diretor do Homem de Aço, filme que daria o tom do Universo Cinematográfico DC (UCD) dali em diante foi lançado em 2013 com o realismo fantástico e sombrio inspirado por Nolan. Lembrando que a Marvel já estava com a sua rota traçada e o barco na água desde 2008.

Zack Snyder, homem forte dentro da Warner

O filme foi criticado por ter cenas de ação longas demais (provavelmente uma negação de O Retorno), mas foi bem o suficiente (fez US$ 668 mundialmente) para ser o ponto de partida para que finalmente a Warner Bros. traçasse seus planos para seus personagens nas telonas. O primeiro resultado disso foi Batman v Superman: A Origem da Justiça, que foi taxado de confuso e sério demais, despertando o ódio de muita gente em 2016. Não fez tão feio nas bilheterias (US$ 873 milhões), embora talvez tenha dado prejuízo (dizem que o estúdio tinha a meta de passar o bilhão, mas falaremos mais disso a seguir) e teve uma queda drástica na segunda semana, a exemplo de Batman & Robin.

Novamente, pânico nos corredores da Warner (deve ser divertido trabalhar lá), mas as esperanças foram depositadas em um filme bastante ousado que estava programado para ser lançado logo: Esquadrão Suicida. Focado nos vilões, a recepção aos trailers bem-humorados foi bastante promissora. E foi por isso que o estúdio interveio adicionando mais humor e mexendo em mais algumas coisas, contratando até mesmo a empresa que havia feito o trailer para mexer no corte final. Novamente, a história entregue foi considerada muito confusa.

Ainda que aos trancos e barrancos, a Warner tem a sua agenda traçada e estão aprendendo pelo caminho. Este ano, teremos Mulher Maravilha e Liga da Justiça para convencer os fãs de que o estúdio da caixa d’água tem capacidade de entregar histórias mais unânimes com personagens tão icônicos, mas as coisas ainda parecem conturbadas. Da mesma maneira que aconteceu com os filmes já lançados, já há boatos rolando pela internet que o filme da amazona seria confuso e desconexo, e Liga teria sido alterado no meio da produção para ter mais humor e ser menos sombrio.

Entrego quando puder! Parem de me ligar, droga!

Além disso, Ben Affleck acaba de desistir da direção de The Batman. Ele vinha declarando que só entregaria o filme quando estivesse plenamente satisfeito com o resultado, mas a Warner insistia na data de lançamento para 2018, também conhecido como ano que vem. Então, passou a bola, aparentemente por causa da pressão que vinha sofrendo. Há uma fofoca de que a impressão dentro da produtora é de que Ben estaria dando importância demais ao roteiro, já que a prioridade seria vender brinquedos e “a maioria do público nem entende inglês mesmo”. Coisa de gente maldosa. Hoje, já saíram notícias de que a data de estreia seria adiada para 2019 e o roteiro seria reescrito do zero quando um novo diretor fosse contratado. Até o momento, o ator segue no papel principal, no entanto.

Indo pelo mesmo caminho, Flash, outro lançamento do ano que vem, perdeu o diretor em outubro e não só ainda não anunciou o substituto como já se diz por aí que o roteiro também será reescrito do zero.

Help me, Geoff Johns, you are my only hope!

Toda a decepção nas bilheterias causou uma dança de cadeiras na Warner. Talvez a mais interessante tenha sido que Geoff Johns assumiu a presidência da DC Entertainment. Prata da casa, ele foi dos poucos que não desceu a lenha ou pediu demissão na empresa na época dos Novos 52, e mais tarde concebeu o Rebirth, que foi um claro aceno aos fãs antigos que tinham ficado irritados com a cronologia que saiu desta saga nos gibis. Quando esteve como chefe de comunicações da empresa, Johns trabalhou nas elogiadas séries da CW, como Flash e Legends of Tomorrow.

Conclusão: Quem é Melhor?

Dizem por aí que os resultados da Warner Bros. são controversos porque os executivos do estúdio se metem demais na confecção de seus filmes, ao contrário da Disney, que não tem problemas de produção. O que é preciso lembrar é que corre na internet que o estúdio do Mickey mandou regravar nada menos que 30 cenas de Rogue One. O resultado foi um sucesso de bilheteria, de crítica e entre os fãs da saga. Vamos voltar ao Box Office Mojo para conferir a tabela das maiores bilheterias no ano de 2016?

1    Rogue One: Uma História Star Wars (Disney)
2    Procurando Dory (Disney)
3    Capitão América: Guerra Civil (Disney)
4    Pets: A Vida Secreta dos Bichos (Universal)
5    Mogli: O Menino Lobo (2016) (Disney)

É isso o que você viu, a Disney se tornou uma fábrica de blockbusters que emplacou quatro das cinco maiores bilheterias no ano passado. Eles conhecem seu público, sabem o que estão fazendo e não dependem de um criador específico para manter um produto coerente.

Vamos pegar o exemplo do filme dos Vingadores. Joss Wheadon foi escolhido para a cadeira de direção e entregou uma película bastante competente. A sequência, porém, não foi tão bem nas críticas. Discretamente, ele perdeu poder dentro do universo e foi sacado da direção dos próximos filmes. E tem também o Robert Downey Jr., ícone dos heróis da editora no cinema, mas que já está passando da idade de fazer estripulias e lentamente tem aparecido menos. Atualmente, ainda que haja nomes que se ressaltam, como os irmãos Russo ou James Gunn, o UCM não depende mais de uma pessoa ou personagem só.

Já a Warner, há duas décadas tinha os personagens mais conhecidos, só consegue emplacar seus filmes quando encontra um bom criador que conta com liberdade para trabalhar, como aconteceu com Christopher Nolan, Richard Donner (que foi bastante tolhido, mas mesmo assim fez o filme que queria) e até mesmo Tim Burton.

Era o filme que queríamos e precisávamos, mas que fez a Warner achar que tudo na vida tem que ser sério e sombrio.

As gerações mais novas já cresceram mais ouvindo falar dos heróis da Marvel do que os da DC. Apesar dos recentes casos de sucesso do Cavaleiro das Trevas, a Warner está começando a pegar uma má fama de só fazer filmes entre médio e ruim ou somente para fãs. Antes  mesmo de chegar ao cinema, já contam com a má vontade do público, enquanto que com a Disney acontece o contrário.

Tem outra coisa também que tem a ver com a explicação dada pelo sir Michael Cane lá em cima. Vamos brincar de calcular o incalculável e ver o quanto cada filme de herói rendeu no ano passado aos seus estúdios, só pra ter uma ideia? Vamos considerar que cada filme gastou 30% do orçamento do filme em marketing e ficaram com uma divisão de 45% dos lucros domesticamente e 30% no exterior. Um chute ponderado.

Filme  Orçamento Bilheteria EUA Bilheteria mundo Retorno
Deadpool 58 363 420 283,75%
Capitão América: Guerra Civil 250 408 745 25,26%
Esquadrão Suicida 175 325 421 19,80%
Doutor Estranho 165 232 438 9,93%
Batman v Superman: A Origem da Justiça 250 330 543 -4,18%
X-Men: Apocalypse 178 155 388 -19,55%

Valores em milhões de dólares.
Dados: Box Office Mojo.

Vejam que loucura, Batman v Superman foi a sétima maior bilheteria dos cinemas no ano passado e deu prejuízo (sem contar aquela história de brinquedos, home videos e afins). A Warner Bros. colocou suas melhores marcas em um filme e esperava ter um lucro gigantesco, por isso colocou um caminhão de dinheiro ali. Será que foi a melhor estratégia quando eles ainda não tinham se consolidado 100% com o DCU? Sendo engenheiro de obra pronta é possível afirmar que não, mas antes do lançamento, quem ia adivinhar?

Não me entendam mal, eu gosto dos filmes recentes da DC. Bom, ao menos acredito que não há razão para tanto berreiro. Mas também vejo por aí como as pessoas estão reagindo e sei que sou minoria. O fato é que, se eles não começarem a fazer filmes que a maioria goste, correm o risco de perder o bonde da onda nerd nos cinemas e até que haja gente crescendo por aí que adora o Homem Formiga e nunca ouviu falar do Aquaman. E ninguém quer viver nesse mundo.