A resenha a seguir contém todo tipo de spoiler, o que pode estragar a surpresa para quem ainda não viu o filme. Prossiga por sua conta e risco.

Quando o diretor Rian Johnson foi escolhido para criar a nova trilogia de Star Wars, em novembro, criou-se uma expectativa muito grande acerca de seu trabalho em The Last Jedi – o oitavo episódio na saga da família Skywalker. Afinal, o filme nem tinha estreado ainda, mas internamente já era aclamado pelos produtores como sendo “completamente diferente dos outros filmes de Star Wars”. Certamente, também bom o bastante pra valer a pena a confiança depositada nele, após um currículo de apenas três filmes e alguns episódios de Breaking Bad.

Sim, o filme realmente é diferente, em tom e narrativa, de tudo que vimos antes.

Não. Não é bom o bastante.

“Eu não posso ir pro filme do Han Solo?”

O filme se desenvolve em duas linhas narrativas diferentes, que não conversam muito bem entre si e o deixam mais longo do que deveria. De um lado, Rey é a nova aprendiz de Luke Skywalker, a primeira desde o fracasso do mestre jedi com Ben Solo. O carisma de Daisy Ridley só é superado pelo de Mark Hammil, que entrega sua melhor performance como Luke (o que, convenhamos, não era difícil). A interação entre os dois é muito boa, o velho, azedo e recluso mestre e sua jovem, impulsiva e esperançosa discípula. Os diálogos, as explicações sobre a Força e sua natureza, sobre destino e o fardo da liderança são brilhantes. Nada de mid-chlorians, a Força é composta de energias opostas – uma ideia que fica bem clara durante todo o filme (infelizmente, as palavras de Luke para Rey também: “Isso não vai funcionar do jeito que você está pensando que vai”.)

A melhor dupla desde Riggs e Murtaugh

Infelizmente, as belas cenas são intercaladas com as da segunda narrativa. A Resistência, encurralada pela Primeira Ordem, precisa urgentemente de um plano para sobreviver. A General Leia Organa foi gravemente ferida, Poe Dameron dá início a um motim (totalmente inútil) contra a nova comandante, a vice-almirante Holdo (interpretada de maneira risível por Laura Dern), e Finn parte em uma missão suicida ao lado da novata Rose, para tentar encontrar alguém que possa baixar as defesas da nave de guerra inimiga. Em sua última performance, Carrie Fisher continua encantadora, mas as limitações dramáticas (e até mesmo do que o roteiro exige) de Oscar Isaac e John Boyega são gritantes. Todo o plot envolvendo Finn é irrelevante para a trama e poderia ser excluído para diminuir o tempo do filme sem prejuízo nenhum à história. A novata Kelly Marie Tran e um sub-aproveitado Benício Del Toro não conseguiram segurar essa parte da história, o que deu espaço para os vilões se destacarem. Para o bem ou para o mal.

“E se a gente simplesmente fosse pra cima da nave da Primeira Ordem à velocidade da luz e esquecesse esse plano ridículo?”

O “líder-supremo” Snoke é descartado de maneira ridícula, sem que uma pergunta sequer sobre sua origem seja respondida. O General Hux de Domhnall Gleeson está mais canastrão e menos caricato, capaz de ser divertido e ameaçador ao mesmo tempo. Adam Driver está muito bem como o vilão Kylo Ren, menos “rebelde sem causa” e mostrando não apenas ser um bom ator como também tendo sua parcela de responsabilidade na construção de um personagem melhor do que vimos anteriormente. Suas interações com Rey, usando a força em um elo telepático, porém, são seu ponto mais baixo. Ele se sai melhor nos momentos de dúvida ou quando finalmente resolve mostrar qual é seu propósito.

“Agora eu sei porque o Alec Guiness falava mal de Star Wars”

As cenas de luta são muito melhores do que em qualquer filme anterior de Star Wars, sem coreografias plásticas que só servem para exibir os sabres de luz. Os combates são violentos, implacáveis e muito bem filmados. Porém, para cada expectativa de uma grande revelação vem uma decepção, para cada grande batalha vem um anti-clímax sem sentido e grandes atores são mal aproveitados e retirados da trama sem cerimônia (não apenas Del Toro, mas também a Capitã Phasma de Gwendoline Christie).

Brienne de Darth

A grande (e bela) mensagem do filme é “proteger o que você ama e não atacar o que você odeia”. Infelizmente, ela se perde numa narrativa anticlimática, mais longa do que deveria e com atores sem carisma suficiente para o protagonismo. Toda a montagem das cenas é deficiente e careceu de um JJ Abrams, muito mais talentoso visualmente e narrativamente, para formatá-la de maneira mais agradável. É de se aplaudir a coragem em dar um passo para fora da zona de conforto, mas como os Stormtroopers, Last Jedi erra o alvo e decepciona como produção.

Nota: 5/10

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