Fui pro cinema me perguntando como a DC/Warner ia me decepcionar dessa vez. Engraçado que ela me decepcionou não atendendo às minhas expectativas: Mulher Maravilha é um filme muito bom. Mesmo.

Deixa esses dois pra lá.

O filme não perde tempo nem com os créditos iniciais. Rapidamente somos apresentados a Themyscira, às Amazonas e à pequena princesa Diana, que cresce rodeada de guerreiras mas super protegida por sua mãe Hipólita – que tenta preservá-la de um terrível segredo. Há uma fotografia muito bonita, imagens icônicas da mitologia grega e cenas de batalhas ótimas (ainda que pese a mão na câmera lenta em alguns momentos). Os efeitos especiais, em muitos momentos do filme, não têm um bom acabamento, deixando clara a sensação de atores no chroma key. A batalha final com o vilão é entrecortada por muitos diálogos, ainda que eles cumpram sua função na trama. Só é uma pena que muitas cenas legais se passem à noite, e a gente enxerga menos do que gostaria.

Mas já dá pra ver mais do que no FILME ANTERIOR

Os vilões são o ponto fraco do filme, caindo em alguns clichês. O plano é interessante e justifica a urgência dos protagonistas em detê-los e, ainda que acabem contribuindo para um excelente plot twist, há pouco tempo para que se mostrem realmente uma ameaça à altura da Mulher Maravilha. Fica a sensação que a intenção não era realmente essa, na verdade. O choque cultural de Diana ao chegar no mundo do patriarcado e se deparar com burocracia, machismo e os horrores da guerra são os verdadeiros inimigos. Tudo isso sem necessidade de longos e enfadonhos textões, feito de maneira que serve à história e não a emperra.

Girl power!

As interpretações são um capítulo à parte. Gal Gadot esbanja carisma no papel principal, mesmo sendo uma atriz limitada, e Chris Pine é mais do que um mero coadjuvante. Ele é co-protagonista, em uma interpretação firme e convincente. Os trailers só mostraram algumas piadas, quando na verdade ele é o retrato da humanidade que nem sempre a heroína gosta de encarar. Steve Trevor é um soldado no cumprimento do dever, e seu dever inclui matar e mentir, por exemplo. Nem por isso ele é um monstro ou se torna menos cativante em sua química com a princesa amazona.

Mas o filme é DELA.

A bela homenagem a um dos maiores ícones do Universo DC não passa despercebida, mas as referências são mantidas ao mínimo para que ele não pareça apenas um trailer de outro filme. Pelo contrário. Ele funciona muito bem de forma independente, passa uma mensagem que os filmes anteriores do FUDC fracassaram em transmitir, convida a algumas reflexões sem ser pretensioso ou pseudo-filosófico e nem o irritante tema de guitarra da Mulher Maravilha incomoda.

Referências EVERYWHERE.

Parece que o Universo DC pode, sim, ser bem sucedido à medida que não tiver vergonha de suas origens e dos elementos que tornaram seus personagens ícones populares no mundo inteiro. Mulher Maravilha é um filme com a dura missão de colocar esse espírito em choque com o que foi feito até aqui – certamente não foi intencional o desespero de Diana ao perceber que algumas guerras não podem ser vencidas.

Mas o espírito está lá: ela continua lutando. E o filme triunfa, junto com os fãs que esperaram quase oito décadas por um filme que fizesse jus a esse espírito.

Nota: 7,5 e nada de cena pós-créditos. Vamos ter que aguardar um pouco por mais Liga da Justiça.

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