Somos escravos do passado. Esse parece ser o mote de “Capitão América: Guerra Civil”, nova produção da Marvel Studios que promete uma batalha épica entre os principais heróis de seu universo cinematográfico. Nominalmente o ato final da trilogia do Sentinela da Liberdade, o filme é tanto uma continuação de “Soldado Invernal” quanto “Vingadores: a Era de Ultron”, sendo ambos essenciais para o desenrolar da história que muda o status quo dessas franquias.

A trama se desenvolve em torno dos Vingadores, chamados a encarar as consequências danosas de suas aventuras anteriores (como a destruição de Nova Iorque e Sokóvia) pela comunidade internacional, que pretende subordinar a atuação dos heróis no planeta a um comitê transnacional. O ultimato, materializado no “Tratado de Sokóvia”, causa um “racha” ideológico na equipe, com um lado liderado pelo Capitão, e outro por Tony Stark, o Homem de Ferro.

A disputa rapidamente sai do controle com o retorno do Soldado Invernal, atormentado por seu passado como super-assassino soviético e acusado de novas atrocidades. A caçada humana contra esse fantasma do passado de Steve Rogers coloca o capitão em rota de colisão com o governo, engolfando os Vingadores em uma escalada de violência, enquanto uma terceira força parece agir nos bastidores do conflito para um acerto de contas.

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De que lado você está?

Dá para sentir entre os espectadores que a grande maioria vai ao filme torcendo pelo Capitão, inclusive por ser ele o protagonista do filme (prevejo muitos baldes de pipoca personalizados do #TeamIronMan encalhados nos cinemas). No entanto,”Guerra Civil” é bem sucedido em balancear bem os argumentos e ações dos dois lados do conflito. Tony Stark, o verdadeiro antagonista da película, é apresentado como um herói movido pelo seu gigante e conhecido ego, capaz de atos maquiavélicos, mas motivado por um grande senso de culpa e de responsabilidade. O carisma de Downey Jr. consegue fazer com que Tony seja um ótimo contraponto ao idealismo refratário a compromissos do Capitão (algo que a série original nos quadrinhos teve dificuldade em fazer).

Para dar peso dramático ao conflito entre as duas facções, dividindo adequadamente o tempo de tela entre os demais dez (!) super-heróis, a Marvel aposta suas fichas em seu público fiel, que acompanha esses personagens no cinema há mais de uma década. Dessa maneira, essa ligação emocional desenvolvida ao longo do tempo ajuda muito a aproveitar os embates fratricidas entre personagens queridos, antigos amigos e aliados.

É claro que esse trunfo cobrou seu preço: para manter a máquina de fazer dinheiro que tem sido os filmes do estúdio, a Marvel inseriu dois novos personagens ao seu universo, abrindo espaço para novas franquias: Pantera Negra e Homem-Aranha (esse em um acordo de última hora com a Sony). Nenhum dos dois são essenciais para o desenvolvimento da história e acabam “roubando” preciosos minutos de tela que poderiam ser dedicados no aprofundamento dos personagens principais. Apesar disso, os roteiristas tiveram habilidade de amarrar bem a história do majestoso Pantera Negra com a trama principal, e o Homem-Aranha rende ótimas cenas e foi muito bem recebido pelos fãs. O jovem Tom Holland tem grandes chances de ser a melhor encarnação do teioso nos cinemas.

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O melhor filme de Super-Herói da história?

Como vivemos na “Era do Hype”, costumo tomar cuidado com essas afirmações. Mas certamente “Civil War” figura na galeria de melhores filmes do gênero: é um thriller de ação eletrizante, com cenas de combate de cair o queixo, diálogos inteligentes e muito, MUITO divertido (apesar de um final sombrio para os padrões do estúdio). A despeito de ter assistido em uma sessão para os fãs mais animados, deu para perceber uma grande interação do público com a película. Todos os personagens estão muito bem caracterizados e algumas das melhores cenas de combate (como a batalha do aeroporto) parecem pular diretamente das páginas dos quadrinhos.

Apesar do roteiro um pouco “inchado” em alguns momentos deixar de lado o conflito principal, o filme é bem sucedido em se manter nos trilhos da história. Se o Capitão perde algum tempo de tela para dar espaço aos demais vingadores, é certo que o filme segue o espírito do personagem, com uma trama que levanta questionamentos políticos, misturando elementos de espionagem, plot twists combates “realistas” (lembrando bastante o famoso run de Ed Brubaker com o personagem nos quadrinhos). Ele é também um final bastante digno e emocionante à trilogia do Primeiro Vingador.

Nota: 9/10 Escudos que Desafiam as Leis da Física!

PS: o filme tem duas cenas pós-crédito, uma logo depois do final e outra somente após o fim dos letreiros (dá até tempo de correr no banheiro!)

 

 

 

 

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