Sim, demorou mas finalmente nós aqui do HQ Café nos rendemos às listinhas de Top-qualquer-coisa. Não se preocupe, no entanto, fiel leitor, manteremos o alto padrão de qualidade que estamos acostumados e você não terá que ficar clicando em “próxima página”, nem aguentando banners invasivos. Na verdade, mais do que mandar o estagiário sortear uns nomes de filmes ruins, queremos realmente saber o que pensam os espectadores. É por isso que, por mais que goste de ficar dando pitaco por aí, resolvi usar os dados do Rotten Tomatoes, tanto as notas dos críticos quanto do público. Óbvio que eu não vou deixar de me meter na medida que for expondo cada filme da lista.

O critério utilizado foi selecionar os filmes feitos para o cinema que tivessem como tema super-heróis de quadrinhos americanos, e classificá-los pela média entre a nota da crítica e a nota do público. O período de tempo analisado foi de Superman (1978, que redefiniu o gênero) em diante, e foram descartadas as produções para TV e DVD.

15º lugar: Demolidor

Nota da crítica: 40/ Nota do público: 33

Sonhei que estava em uma adaptação horrível de quadrinhos!

Sonhei que estava em uma adaptação horrível de quadrinhos!

Ah, o filme que quase destruiu a carreira do ator e apreciador de quadrinhos Ben Affleck. Olhando no papel, até que a escolha de protagonistas foi bastante acertada, com Jennifer Garner como Elektra, Michael Clarke Duncan como o Rei do Crime, e Collin Farrell como o Mercenário. Não obstante, as atuações são muito equivocadas, o mesmo que se pode falar do roteiro. Minha impressão é que esse é um filme em que houve um esforço grande para apresentar um produto legal, só não deu certo em nenhum aspecto.

14º lugar: Batman Forever

Nota da crítica: 40/ Nota do público: 33

batman-forever

Caras, esse filme é simplesmente errado…

Primeiramente, devo dizer que acho essa 14a. colocação uma injustiça com a qualidade da obra. Ela é bem pior do que muita coisa que vamos ver adiante. Primeiro rebento da equivocada visão de Joel Schumacher para o Homem-Morcego, é uma continuação direta de Batman Returns de Tim Burton, apesar de quase nada lembrar o mundo gótico e autoral que é marca registrada deste último diretor. Embaraçoso para o currículo de qualquer artista envolvido, é difícil entender o que levou 40% dos críticos a aprovarem o filme.

13º lugar: O Quarteto Fantástico (2005)

Nota da crítica: 27/ Nota do público: 45

Que coisa, hein?

Que coisa, hein?

A Fox teve muita dificuldade em acertar a mão com o Quarteto Fantástico. O histórico da produção foi um pouco conturbado, com diretores entrando e saindo desde os anos 1990 até que Tim Story assumiu a batuta, entregando um filme concebido para ser divertido e barato, que tem lá muitas tosquices de produção. Jessica Alba, que estava em ascensão na época, foi escolhida para interpretar a loura Sue Storm. A solução foi tingir o cabelo dela, colocar lentes de contato azuis e encher a pobre moça de pancake, sendo que há momentos em que é possível ver onde a maquiagem termina no pescoço. O Coisa usa uma roupa de borracha na qual as dobras ficam visíveis em algumas cenas. Ao menos é um filme que não se leva tão a sério.

12º lugar: Fantasma

Nota da crítica: 41/ Nota do público: 30

O Espírito que Anda

O Espírito que Anda

Ainda que o filme tenha sido um fracasso de bilheteria a exemplo de outros que saíram na mesma época, como Rocketeer e O Sombra, hoje muitos o consideram cult. Billy Zane está bem canastrão nessa encarnação do Espírito que Anda.

 

11º lugar: Lanterna Verde

Nota da crítica: 26/ Nota do público: 45

Eu fiquei inteligente demais pra continuar nesse filme... Mas fiquem aí com o Parallax.

Eu fiquei inteligente demais para ser o vilão deste filme, mas fiquem aí com o Parallax!

Jesus, por onde começar? A primeira investida da DC fora do duo Batman/Superman no período analisado foi um grande fiasco. O filme até traz uma tentativa de trazer um conflito do herói em oposição ao vilão, mas com uma trama bastante lamentável, excesso de vilões, efeitos toscos… O filme foi feliz em poucas coisas, mas eu realmente gostaria de ver mais vezes o Mark Strong como Sinestro.

10º lugar: Superman III

Nota da crítica: 26/ Nota do público: 23

Como vocês puderam fazer um filme tão ruim?!!

Como eu pude estar em um filme tão ruim?!!

Os irmãos Alexander e Ilya Salkind haviam se desentendido feio com Richard Donner, diretor do clássico Superman, e o retiraram da segunda parte mesmo ele já tendo por volta de 75% do filme rodado. Como resultado, Gene Hackman (Lex Luthor) teria se recusado a retornar para o terceiro filme, e Margot Kidder (Lois Lane) teria sido relegada a uma ponta por ter ficado publicamente ao lado de Donner no imbróglio. Não bastasse isso, o primeiro tratamento do roteiro de Ilya (que envolvia Brainiac, Mxyzptlk e a Supergirl) foi recusado pela Warner Bros..

Aí eu acho que entra uma questão dos problemas típicos de continuações nos anos 80, quando os executivos tinham uma fórmula bem simples: sequência = filme original + um caminhão de dinheiro. Raramente eles conseguiam distinguir o que havia feito sucesso no original, então basicamente copiavam tudo o que dava e colocavam mais efeitos especiais e nomes de peso. Foi aí que Richard Pryor entrou na jogada. Ao trazer o talentoso comediante para a produção, o tom cômico ficou preponderante no filme, que tem vilões genéricos e enredo fraco. Apesar de tudo isso, Christopher Reeve continua matando a pau como o Homem de Aço, com destaque para sua atuação como Superman malvado.

9º lugar: O Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança

Nota da crítica: 26/ Nota do público: 48

A produção era tão barata quanto a peruca do Cage.

A produção era tão barata quanto a peruca do Cage.

Nicholas Cage, outro fã confesso de quadrinhos, garante seu lugar nessa lista com a sequência do original de 2007. A história já era feita com a intenção de ser meio tosca, mas acho que perderam o controle no meio do caminho. Apesar de ter sido um fracasso com os críticos, o filme foi bem nas bilheterias e só não teve outra continuação porque o ator não quis repetir mais o papel.

8ª lugar: O Juiz (1995)

Nota da crítica: 18/ Nota do público: 30

Eu sou Dredd!

Eu sou Dredd!

Sim, Sylvester Stallone também está nesta lista nesta versão bem qualquer coisa de Judge Dredd. Caso típico de filme que foi engolido pelo sucesso do ator protagonista, sofreu com as críticas por mostrá-lo quase o tempo inteiro sem capacete, o que nunca acontece no gibi. Além disso, a película teria sido mutilada para caber em uma censura PG13 nos EUA. John Wagner, criador do personagem, considerou que o longa não lembrava em nada sua obra, ainda que achasse que Sly era perfeito para o papel, pelo qual mereceu uma Framboesa de Ouro.

7º lugar: Elektra

Nota da crítica: 10/ Nota do Público: 30

Esse filme me deu uma azia...

Esse filme me deu uma azia…

Como nada é tão ruim que não possa piorar, Demolidor ganhou um spin-off. A história foi levemente baseada em Elektra Vive, revista que já teve uma recepção morna em relação à media do autor Frank Miller na época. Com uma aura mística, diálogos fracos e uma trama que se leva a sério demais, o filme não deu certo. Novamente, a atuação de Jennifer Garner como a heroína foi elogiada pelos fãs, mas desperdiçada pela produção.

6º Lugar: Spirit

Miller no set. Muito fundo verde, pouco espírito...

Miller no set. Muito fundo verde, pouco espírito…

Nota da crítica: 14/ Nota do público: 25

E falando no Frank, juntando-se a obra de um dos grandes gênios e um dos maiores autores de quadrinhos de todos os tempos em sua estreia na direção cinematográfica não tinha como dar errado, certo? Errado. Embalado pelo sucesso de Sin City, a lenda Frank Miller fez um filme pretensioso e estilizado que em pouco lembrava as páginas de Will Eisner. Pena. De verdade.

5º lugar: Supergirl (1984)

Nota da crítica: 7/ Nota do público: 26

Socorro, deixem eu fugir daqui!

Socorro, deixem eu fugir daqui!

Depois do fracasso de Superman III, os irmãos Salkind resolveram investir em um spin-off da franquia, afim de refrescar um pouco a marca. Supergirl contava com grande orçamento e Peter O’Toole e Faye Dunaway no elenco, mas foi um grande fracasso de crítica e público por seus inúmeros pontos fracos. Uma curiosidade é que Reeve em pessoa deveria ter feito um cameo, mas devido a conflitos de agenda, o único rosto conhecido dos filmes originais é Marc McLure (Jimmy Olsen).

4º lugar: Superman IV

Nota da crítica: 12/ Nota do público: 16

Os efeitos lembram muito os clássicos, como Chapolim Colorado...

Os efeitos lembram muito os clássicos, como Chapolim Colorado…

Assumindo que o fracasso de Superman III e Supergirl se devia a um esgotamento da franquia, os irmãos Salkind venderam os direitos de produção do Homem de Aço para a Cannon films. Nessa continuação, Hackman e Kidder retornaram em grande parte porque era um projeto importante para Reeve, mas o roteiro cheio de buracos e o parco dinheiro para produção acabaram com qualquer chance de se fazer um filme decente. Jon Cryer (de Two And A Half Men, que faz o sobrinho de Luthor) afirmou que o longa ficou sem dinheiro no meio da filmagem e o filme que foi lançado não chegou nem a ser acabado, com efeitos especiais que não fazem sentido e sequências que ficaram faltando.

3º lugar: O Quarteto Fantástico (2015)

Nota da crítica: 9/ Nota do público: 19

Só observando o desastre.

Só observando o desastre.

Há produções que são destinadas a falhar desde o começo. Depois de dois filmes meio mambembes e leves que conseguiram até uma boa bilheteria, a Fox resolveu fazer o tal do reboot serião que entrou na moda há pouco tempo, e com atores mais talentosos. Como o Quarteto é tradicionalmente mais light, essa abordagem foi amplamente rejeitada por público e crítica, para desgosto do nosso amigo Raul. Reparem que foi a nota do público que salvou o filme de amargar a primeira posição na presente lista, e que o Quarteto Fantástico feito para a televisão e jamais lançado por sua qualidade deplorável tem nota de crítica 29 e de público 27.

2º lugar: Batman & Robin

Nota da crítica: 11/ Nota do público: 16

O George Clooney vai se arrepender para sempre de ter feito esse filme

O George Clooney vai se arrepender para sempre de ter feito esse filme

E o Batman de Schumacher continua surpreendendo e não levou a primeira colocação (mas passou perto, o resultado foi desempatado pela nota dos críticos). Em um merecidíssimo segundo lugar, está a obra-prima de Schumacher, Batman e Robin. Talvez baste dizer que George Clooney está sempre se desculpando por ter estado nele.

1º lugar: Mulher-Gato

Nota da crítica: 9/ Nota do público: 18

Pobre Halle Barry, se meteu na maior encrenca da carreira.

Pobre Halle Barry, se meteu na maior encrenca da carreira.

E eis que chegamos ao nosso primeiro lugar, em uma disputa cabeça a cabeça que foi decidida no tira-teima. E não podia ser diferente, esse filme fez tudo errado desde a concepção inicial. A ideia foi a seguinte: “bem, nós temos uma atriz lindíssima que está em alta e até ganhou um Oscar; como podemos fazer para colocá-la em tela com roupas mínimas de couro?” E o planejamento parou por aí. O resultado foi um grande fracasso de crítica, público e bilheteria. Mais inspirado na Mulher-Gato de Batman Returns do que na personagem dos quadrinhos (se é que dá pra dizer que houve alguma inspiração a não ser o nome), se você tiver que escolher um filme pra nunca ver na vida, eis a sua melhor opção.

Vejam, eu não sou ninguém para falar mal da escolha de críticos profissionais nem dos cinéfilos especializados. Mas vou fazê-lo mesmo assim. Estritamente se comparando as classificações, parece haver algumas distorções. Vejam o caso do reboot do Quarteto Fantástico: não que o filme não seja ruim, mas pior do que Demolidor, Batman Eternamente e Lanterna Verde? Às vezes, parece que há filmes que as pessoas rejeitam com mais fúria. Para se ter uma ideia, Hulk (2003, o de Ang Lee), Batman V Superman: A Origem da Justiça (salvo pelo voto popular), e Esquadrão Suicida, foram todos considerados piores que coisas como X-Men Origens: Wolverine, o Homem-Aranha 3 e X-Men 3.

E qual foi a tendência identificada nessa lista? Que, em se tratando de gosto, cada um tem o seu. Por mais feio que seja. Que nem nariz. Sim, eu disse nariz.