Uma das coisas que mais gosto de ler aqui no HQCafé são as resenhas que os nossos escritores e colaboradores escrevem, mesmo as do Hobbit.  O pessoal escreve muito bem e, por essa razão, sempre procurei evitar resenhar,  ou criticar, os caras são bons.

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Porém, estava todo mundo com tarefas da realidade para cuidar e eu fui o único que foi à pré-estreia, às 00H01, no dia dos mortos. Trailer aqui.

Como estamos na era do mimimi, creio que uma das reclamações que virão é que Dr Estranho é um filme mediano. Não, não é, é um filme na média dos filmes da Marvel, e a média é alta, ao menos para mim.

Dr Estranho não escapa dos problemas de filmes de origem, tendo que correr para contar a origem do herói e a trama que o levará à batalha final contra o vilão Kaecilus, interpretado por Mads Mikkelsen. No primeiro filme do Thor, uma das queixas que mais ouvi era, “como um Deus, com milhares anos de vida, apaixona-se por uma humana na primeira noite que conversa com ela?”. Olhem, achei mais estranho, RÁH, o curto período de tempo que o Dr Estranho leva para se tornar um Mestre das artes místicas.

O enredo é bem simples, Dr. Stephen Strange, médico bem-sucedido, arrogante e ao mesmo tempo encantador, sofre um acidente de carro e perde o controle das mãos impedindo-o de seguir sua carreira como cirurgião. Desesperado por uma cura, após saber que poderia curar-se no Nepal, gasta o que lhe resta na viagem, e mesmo relutando no início, Strange inicia seus estudos pelo mundo místico.

Seguindo o clássico roteiro da Jornada do Herói, Dr Strange inicia sua jornada para tornar-se o Mago Supremo desejando inicialmente curar suas mãos, mas ele sabe que seu futuro nunca será como antes, mesmo que suas mãos se recuperem. Strange talvez não quisesse assumir que a partir do momento que viu o multiverso e a manipulação por magia dele, a cura de sua mão deixou de ser prioridade, e o Dr. Estranho busca a humildade que abrirá a ele a compreensão universal do mundo da magia.

A atuação de Benedict Cumberbatch como Dr Strange lembra o seu trabalho em Sherlock Holmes, um personagem arrogante, muito inteligente que não se importa em humilhar colegas para demonstrar sua superioridade, e Cumberbatch repete-se em papéis com esse perfil, assim como Robert Downey Jr. parece sempre interpretar o mesmo personagem. Cumberbatch está para o Dr. Estranho tanto quanto Robert Downey Jr. está para o Tony Stark.

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Robert Downey Jr, Homem de Ferro, e Benedict Cumberbatch, Dr Estranho.

As mudanças nas etnias de Mordo, interpretado por  Chiwetel Ejiofor e da Anciã, interpretada por Tilda Swinton não prejudicam o filme, e no caso dela ficou interessante a sua retratação como uma celta, remetendo ao rituais pagãos tão em voga nesta época de Halloween. A dinâmica entre os atores flui naturalmente, e os alívios cômicos protagonizados por Wong, interpretado por Benedict Wong, dão o tom tão característico dos filmes da Marvel.

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Tilda Swinton como a Anciã.

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Chiwetel Ejiofor como Mordo

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Benedict Wong como Wong, sério.

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Mads Mikkelsen como Kaecilius

O filme é visualmente bonito, e as “acusações” de plagiar Inception não são merecidas, as imagens da cidade dobrando-se sobre si mesma mostram uma dinâmica diferente do filme do Nolan,  eu não fiquei reparando nos efeitos especiais, o que é um bom sinal, como em um jogo, se o juiz não aparece, ele foi bem.

Dr Estranho é um filme bom, mas talvez não seja um filme para assistir-se à meia-noite, porém agradará os fãs do Mago Supremo, os nerds e o público civil, que parecia a maioria na sala quase lotada do cinema. Eu me diverti e saí mais interessado no futuro do universo cinematográfico da Marvel, do que em um Dr Estranho 2. Mas se filmassem Triunfo e Tormento eu  assistiria à meia noite de novo.