Eu sei o que você leitor está pensando. Já estamos em abril de 2018, por que fazer uma análise das bilheterias de 2017? Porque nesta época os números das bilheterias do ano passado já estão bem sedimentados. Além disso, passamos o início de ano muito atarefados aqui no HQ Café.

Meu Deus, já é abril?!

Então, já que estamos atrasados, é melhor começar logo, porque as bilheterias do ano passado vão ditar como serão as próximas produções dos filmes baseados em HQs. As fontes utilizadas foram o Box Office Mojo e a Deadline, que faz estimativas dos lucros dos filmes abrangendo custos de produção, ganhos em homevideo, participação dos atores e diretores, etc.

Marvel Studios/Disney

O Aranha está segurando as pontas na Marvel.

Para começar com notícias boas, vamos falar do estúdio que não sabe o significado da palavra flopar*: o Marvel Studios, que emplacou seus três filmes entre as dez maiores bilheterias de 2017.

* Se você é tão bem-sucedido quanto a Marvel, também não deve saber que é uma gíria comumente usada para falha na bilheteria (Nota do Editor).

Homem-Aranha: De Volta Ao Lar fez US$ 880 milhões, a sexta maior bilheteria do ano, com um custo de US$175 milhões, o que garantiu um lucro de US$200 milhões para a Sony. Bom, sim, esta parte do artigo é sobre a Marvel, mas ambos firmaram um acordo para a produção deste filme que deu as decisões criativas todas para o estúdio da Disney.

O público já começava a dar sinais de desinteresse pelo Teioso em O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, mas o reboot turbinado pelo acordo com a Marvel parece ter dado nova vida para ele, resultando em uma arrecadação US$170 milhões maior, e isso com um custo de US$75 milhões a menos. Prova de que ambos os estúdios ficaram felizes com isso é que já está prevista uma continuação direta de De Volta Ao Lar em 2019, além dos spin-offs produzidos inteiramente pela Sony Venom (outubro de 2018) e Gata Negra e Sabre de Prata (fevereiro de 2019).

Guardiões da Galáxia Vol. 2 foi o oitavo filme mais visto nos cinemas em 2017, arrecadando US$864 milhões. Os custos foram de US$200 milhões, garantindo um lucro de US$155 milhões, uma queda de mais ou menos US$ 50 milhões em relação ao primeiro filme, devido às participações maiores do elenco e a queda de interesse natural em uma continuação que não acrescentou muito em termos de narrativa.

Thor: Ragnarok abocanhou a nona bilheteria do ano com US$854 milhões de arrecadação, orçamento de US$180 milhões e lucro de US$174 milhões. Mesmo com uma produção mais cara que sua antecessora, Thor:Mundo Sombrio, o aumento foi de US$35 milhões em faturamento, devido em boa parte à impressão positiva do público em relação ao filme.

Isso demonstra que os riscos das mudanças de proposta tanto em reviravoltas para os personagens quanto no próprio tom, mais despojado e descontraído em relação aos anteriores, compensaram. Ainda que os outros dois filmes da franquia não tenham falhado, esse foi o primeiro a ser realmente elogiado. Para se ter uma referência, a nota da crítica aumentou de 66% avaliações positivas para 92% entre esta película e sua precursora, segundo o Rotten Tomatoes.

DC/Warner

A Mulher Maravilha foi bem com o filme dela, mas acho que vai precisar de um escudo maior

Sempre que vamos falar de Warner, é difícil conter a apreensão, então vamos começar falando de coisa boa. Mulher Maravilha, o primeiro grande acerto do estúdio desde a trilogia do Cavaleiro das Trevas, arrecadou US$822 milhões, garantindo a décima bilheteria do ano. Com um custo de US$149 milhões, o lucro ficou em torno de US$253 milhões. Nada mau para a estreia da amazona na tela grande.

Só que estamos falando de Warner e a resposta positiva à Mulher Maravilha levou os executivos a quererem mudar o filme da Liga da Justiça para um tom menos sombrio do que o diretor Zack Snyder vinha imprimindo. O longa estava quase pronto e já não ia muito bem nos bastidores. Corre o boato de que o primeiro corte era “inassistível”. Tudo isso causou a demissão do diretor. Na época, usou-se como saída elegante divulgar que a causa de sua saída teria sido o luto pelo suicídio de sua filha, acontecido meses antes.

O chamado para ocupar a cadeira foi Joss Wheadon, que havia trabalhado em Os Vingadores. Extensas refilmagens foram feitas, elevando os custos de produção para US$300 milhões. Nesse ponto, o estúdio já esperava que o filme fosse flopar, a questão era reduzir o dano. Ainda que tenha ido bem no Brasil, Liga da Justiça fez uma bilheteria mundial de US$658 milhões (a menor desde o início do universo estendido da DC nos cinemas), o que lhe garantiu o 14º lugar no ranking das bilheterias em 2017. No fim, o prejuízo com a película é estimado em US$60 milhões.

Vamos fazer uma pequena menção honrosa ao 31º lugar nas bilheterias do ano passado, o charmoso LEGO Batman: O Filme, que fez US$312 milhões. Ainda que a Deadline não tenha feito a estimativa dos lucros, com um orçamento de US$80 milhões, deve ter rendido uns bons trocados ao estúdio.

Fox

Com o envelhecimento dos blockbusters da Fox, o surgimento de filmes menores e mais ousados se mostra uma saída válida

Antes de iniciar seu processo de venda para a Disney, a Fox provou que filmes de super-herói não precisam ficar restritos em forma e gênero. Depois da comédia escrachada e violenta de Deadpool, acertou mais uma vez com Logan, um filme sensível e focado no ocaso da vida de Wolverine e do Prof. X (e, claro, violento). Mesmo assumindo o risco de um público restrito com a censura de 18 anos, ficou em 15º lugar entre as maiores bilheterias de 2017.

Arrecadando US$617 milhões, e tendo custado apenas US$97 milhões, dá para afirmar que os filmes mais experimentais do estúdio têm valido mais a pena do que os convencionais, que têm tido queda de arrecadação a cada nova película. A Deadline não disponibilizou o lucro exato, mas afirma que “apesar de a Fox não ter um título no top 10, isso não quer dizer que Logan não tenha feito um cascalho a mais”, em tradução livre. É justo pensar,  projetando uma média dos lucros sobre as bilheterias sem os gastos dos outros filmes, que a Raposa tenha tirado aí uns US$150 milhões dessa brincadeira toda.

Como balanço final de 2017, é possível afirmar que os super-heróis no cinema ainda estão com força total: foram nada menos que seis títulos, e apenas um flopou. Seria esse o ápice da tendência antes da queda? Pode até ser, mas a julgar pelo Pantera Negra, primeiro filme do gênero que chegou quebrando tudo em 2018, essa queda, se vier, não será tão já. Mas isso é papo para o ano que vem.