Uma das grandes expectativas para o filme do Esquadrão Suicida era a Arlequina. A namorada do Coringa (veja aqui o que achamos dele), interpretada por Margot Robbie, foi uma grande sensação entre os fãs quando o primeiro trailer saiu. E agora, depois da avaliação negativa do filme (leia nossa crítica aqui), será que a versão da personagem correspondeu ou foi mais um dos problemas do longa?

A ansiedade não era para menos, ela é uma das personagens mais queridas do mundo do Homem-Morcego. Foi criada em Batman – A Série Animada por Bruce Timm e Paul Dini no episódio Um Favor Para o Coringa de 1992. Com seu carisma, foi promovida ao universo DC dos quadrinhos em 1999 em Batman: Harley Quinn, que tem a clássica capa de Alex Ross homenageada no filme.

Batman: Harley Quinn, de 1999

Batman: Harley Quinn, de 1999

A belíssima Margot ficou mais conhecida no filme O Lobo de Wall Street, como Naomi Lapaglia, a segunda esposa do personagem Jordan Belford (Leonardo DiCaprio). Ela tem lá suas limitações como atriz, mas sua participação no Esquadrão Suicida mostra que tem a dedicação necessária para crescer. Ela entendeu bem a personagem e parecia muito à vontade no papel. Prova disso é a afirmação que fez ao site Omelete:

“Eu não acredito que ela seja forte, nesse sentido. (…) Tenho amigas que continuam voltando para namorados que as traem, e você se pergunta o porquê, mas isso é real, são questões reais. As pessoas vivem e permanecem em relações abusivas. A questão aqui não foi fazer uma personagem forte, mas uma personagem real, com quem as pessoas pudessem se relacionar, porque esses personagens são humanos e têm suas falhas e cometem enganos. Em alguns aspectos eles chutam bundas, em outros eles não são legais.”

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Arlequina e Coringa, um casal muito louco aprontando as maiores confusões

Não é porque uma personagem é querida que ela tem que ser perfeita, ainda mais porque estamos aqui falando de uma psicopata homicida. Seria muito confortável para David Ayer, ou mesmo a Warner, aproveitar a demanda de público por empoderamento feminino que os estúdios têm tentando imprimir em seus filmes e torna-la uma heroína típica, mas isso afastaria muito a personagem de sua essência. Uma das saídas fáceis teria sido criar uma relação romântica entre ela e o Pistoleiro (Will Smith) depois que o Coringa sai de cena, mas a relação de amizade entre os dois se torna ainda mais coerente se pensarmos que a motivação do mercenário é sua filha com quem não tem contato, transferindo assim seu sentimento de carinho.

Arlequina com o Pistoleiro: só camaradas

Arlequina com o Pistoleiro: só camaradas

O fato é que Arlequina é definida pela sua relação com o palhaço do crime, e somente se torna completa depois que se apaixona (ou se torna obcecada) por ele. Na película, ainda que a correlação de forças dentro desse relacionamento seja desigual, é muito claro que o namorado é muito mais ligado a ela do que nas HQs. Entendo isso como uma opção de roteiro para motiva-lo a tentar resgata-la, mesmo com todos os riscos e recursos envolvidos.

Dito tudo isto, no entanto, ela se vira muito bem sem o seu Pudinzinho. Por mais que seu comportamento seja muitas vezes sexy e infantilizado, os homens têm medo dela porque ela é – bem – doidinha de pedra e porque pode facilmente derrubar uma pessoa (ou várias) com o dobro de seu peso. Além disso, ela simplesmente não se importa em correr perigo e se atira no que está fazendo por pura diversão.

Certamente, ela ainda vai dar muito trabalho ao Morcegão para nossa felicidade. Só torçamos que ela esteja em um contexto melhor daqui para a frente.