A sétima temporada de The Walking Dead começou com uma porrada. Até o season finale anterior, aprendemos que a turma de sobreviventes liderada pelo antigo xerife Rick poderia ajudar a comunidade de Alexandria. A população da pequena cidade havia ficado isolada durante a pior parte do apocalipse zumbi, e tinha recursos preciosos a proteger, mas nenhuma experiência em fazê-lo.

Tudo parecia dar certo quando Rick e sua trupe chegaram. Tendo vivido muito tempo desabrigados, haviam adquirido expertise em se proteger tanto dos zumbis quanto das pessoas que queriam os poucos recursos que conseguiam acumular. E eram os melhores nisso. Até que Negan e os Salvadores apareceram.

É isso aí, Rick, All-Out War ficou pro ano que vem mesmo.

Quando somos apresentados a Negan, ele já executa dois personagens que já havíamos criado laços, Abraham e Glenn. Os Salvadores se impõem desde o primeiro momento e subjugam os nossos heróis.

Depois desse início bombástico, e o fim do hype criado com a revelação de quem seriam as vítimas de Negan, como é de praxe na série, foi o momento de dar uma recuada, deixar a nova situação assentar na cabeça dos espectadores e fazer aquilo que é o arroz-com-feijão de Robert Kirkman: desenvolver as relações entre os personagens.

Apesar de ter sido uma temporada que parece ter ficado presa na segunda marcha, não se pode negar que alguns personagens tiveram uma boa evolução, como os de Eugene, Dwight, Maggie, Daryl e principalmente Sasha. Embora a história do caixão ainda me pareça um pouco confusa, rendeu boas cenas e foi um ótimo clímax para a personagem, que não vinha lidando bem com a morte do namorado e estava ansiosa por vingá-lo e livrar as cidades e seus amigos das mãos de Negan. Isso sem contar personagens novos, como Ezekiel, aqueles malucos do lixão e Richard, com sua pequena, porém marcante participação.

Taí uma dupla que não se vê todo o dia.

Mas também houve problemas no desenvolvimento de alguns personagens. Michonne claramente tem sido usada para substituir o papel de Andrea (já que na série ela já morreu), tendo assumido várias cenas protagonizadas por ela no gibi, mas não tenho certeza se ela foi a melhor personagem para isso, porque ela é tradicionalmente mais calada e introspectiva, e algumas situações acabaram ficando meio forçadas. Talvez seja por isso que o casal que ela faz com Rick não tenha a menor química.

Negan não ficou ruim, mas mais uma vez um grande vilão da HQ acabou não atingindo seu potencial pleno. Dessa vez, o personagem estava bem mais próximo do original, mas é curioso observar as nuances de interpretação do roteiro pelo ator Jeffrey Dean Morgan e do desenhista Charlie Adlard. Enquanto no traço de Adlard é possível perceber a sinceridade nas ações de Negan, Morgan parece ter optado por fazê-lo mais debochado e irônico, sempre com um sorrisinho sarcástico. Um exemplo é quando o personagem diz gostar de Carl; na série, parece que ele está tão-somente mexendo com os nervos de Rick, no gibi é possível ver que ele está sendo sincero dentro de sua lógica psicopata. Aí na real é uma questão de gosto pessoal, e eu gostei mais dos quadrinhos. Podem me chamar de purista, eu não ligo.

Confessa, dá vontade de tirar esse sorrisinho daí com um tapa, né?

Ao fim, parece que a razão de ser dessa temporada foi somente estabelecer os Salvadores como ameaça real aos sobreviventes que conhecemos até aqui, já que eles já parecem ter passado por tudo e vencido. O problema é que essa situação se arrastou durante toda a temporada, e vamos devagar percebendo que o arco All Out War ficou para a próxima. O único momento de confronto real ficou mesmo para a última meia hora daquele que foi o season finale menos assistido da série nos últimos anos. Foi uma temporada inteira meio com carinha de filler, salva pela habilidade de Kirkman de criar boas relações entre personagens e construir situações tensas até que elas explodem em cenas bombásticas (alguém lembrou da participação da Shiva no último episódio?). Vamos torcer para que a oitava temporada a guerra total agite um pouco o clima.

Nota: 5,0 tigres vingadores