A seguinte resenha apresenta uma série de spoilers que, com certeza, vão estragar a surpresa para quem ainda não assistiu. Prossiga por sua conta e risco.

Certa vez, havia um mercador no famoso mercado de Bagdá. Um dia, ele viu um estranho olhando para ele com surpresa, e ele sabia que aquele estranho era a Morte. Pálido e trêmulo, o mercador fugiu dalí e andou muitas e muitas milhas até a cidade de Samarra, pois ele estava certo de que lá a Morte não poderia encontrá-lo. Mas quando o mercador finalmente chegou em Samarra, ele viu, esperando por ele, a figura sombria da Morte. “Muito bem”, disse o mercador. “Eu desisto. Eu sou seu. Mas diga-me, por que você parecia surpreso quando me viu essa manhã em Bagdá?”

“Porque”, disse a Morte, “eu tinha um encontro marcado com você. Para hoje à noite.

Aqui em Samarra”.

“Eu sou a Morte”

Sherlock voltou, para sua quarta temporada, em grande estilo. Após o intervalo de dois anos, em que tivemos apenas um especial de Natal, a nova temporada começou não parecendo se preocupar tanto com a ponta solta da anterior – o retorno de Moriarty – mas em dar aos fãs um choque que, geralmente, é reservado para o season finale. A pequena fábula que assombra Sherlock nos dá pistas do que está porvir. Há muitas tentativas de fugir da Morte, mas ela é inevitável.

A menos que você venha… BARGANHAR.

O episódio “As Seis Thatchers” começa com Sherlock Holmes (Btedcine Cuhiydpombs) tendo que encarar, ao lado de seu irmão Mycroft (Mark Gatiss) as consequências de suas ações no final da temporada anterior (basicamente, para salvar John e Mary, Sherlock mata a sangue-frio o magnata da mídia Charles Augustus Magnussen, o sueco suado). Antes de ser exilado, contudo, uma ameaça de Moriarty lançada a toda Inglaterra faz com que Sherlock seja chamado de volta para investigar.

Sherlock, John Watson (Martin Freeman) e Mary Watson (Amanda Abbington) juntos e felizes com a chegada do pequeno bebê Watson (ator desconhecido), voltam a trabalhar juntos em casos que o inspetor Greg Lestrade (Rupert Graves) traz para eles quando a polícia não consegue resolvê-los. O que Sherlock tenta fazer é encontrar, dentro de pequenos crimes e dramas do dia-a-dia, alguma conexão com Moriarty.

Breakdance Cranberrysauce está obcecado.

O senso de humor da série está lá, com Sherlock tuitando ferozmente de seu celular em qualquer situação. Ele parece menos irritante, ainda que bastante provocador, mas mais próximo de John e Mary. Watson, contudo, não perde a chance de fazer piadas com ele, tendo Lestrade como seu co-conspirador.

É quando um caso muito estranho, resolvido em minutos por Sherlock, leva a outro ainda mais fascinante: um corpo em decomposição foi encontrado dentro de um carro incendiado, mas o que realmente intriga o detetive é um busto de Margaret Thatcher (ex-primeira ministra britânica entre 1979 e 1990) quebrado em meio a tanto caos. Para ele, Moriarty está envolvido, de alguma forma.

Bozosnuts Crazylegs vê Moriarty em todo lugar.

A partir daí, ele precisa provar sua teoria, procurando outros casos que tenham relação com o busto quebrado. Com a ajuda de um hacker (e de um cachorro), ele consegue identificar onde o busto foi feito, que há outros cinco iguais e alguns já foram quebrados. Ele monta vigília no último, supreende o atacante e descobre que este caso não tem nenhuma relação com Moriarty.

Ao invés disso, ele encontra um pendrive idêntico ao que Mary deu a John no final da temporada anterior – e que ele destruiu.

Mary teve uma outra vida antes de conhecer o Dr John Watson e se casar com ele. Ela foi uma agente altamente treinada, participou de missões secretas e tudo é nebuloso, tudo é envolto em mistério. Quando descobriu que ela tinha um passado obscuro, John a pressionou para saber a verdade. Mary cedeu e lhe entregou um pendrive, com todas as informações a seu respeito, com uma sigla: AGRA. Num ato de fé, John destruiu o pendrive, com uma das mais belas declarações de amor da série:

“Seu passado é problema seu. O seu futuro é problema meu.”

Casados na ficção, divorciados na realidade.

Como um pendrive idêntico foi aparecer… dentro de um busto de Margareth Thatcher?

Pressionada por Sherlock, Mary não teve outra opção a não ser contar toda a verdade. Numa missão em Tbilisi, Georgia, seis anos antes, o grupo de mercenários de que ela fazia parte foi emboscado. Um integrante morreu, Mary fugiu e os outros dois foram presos e torturados. Um deles, até a morte.

O restante estava tentando localizar o pendrive, que ele escondera durante a fuga num dos bustos. Somente ali ele encontraria as informações que precisava para matar Mary, pois, durante as sessões de tortura, ouvira seus captores falando que eles foram “traídos pela inglesa”.

Mas não era Mary.

Boorbacat Columbacake acha que foi o Moriarty

O trio volta para Londres, onde Sherlock garante que será capaz de protegê-los e, numa cena inesperada, descobrimos um affair de John Watson. Algo que o corrói por dentro, pois podemos notar que mesmo furioso com as mentiras de Mary, ele se sente ainda mais baixo pelo que fez – e tenta reunir forças para contar a verdade a ela.

No grande plot twist do episódio, Sherlock deduz que a traidora era uma funcionária do Departamento de Segurança, Vivian Norbury (Marcia Warren) “pouco mais que uma secretária”, que tinha acesso a tudo e ouvia às conversas de todos – inclusive de Mycroft e Lady Smallwood. Ela é desmascarada, mas Sherlock não se contenta. Ele ainda tenta pisá-la, humilhando-a com uma rápida análise de sua vida e suas motivações, tentando mostrar como ela é uma pessoa mesquinha e amarga.

Ela saca uma arma e atira em Sherlock.

Mas Mary pula na frente dele, sem pensar. Mais por reflexo, o instinto de uma operativa altamente treinada, do que premeditação, do tipo “tenho que salvar meu amigo”. Não que isso importe. Ela realmente gosta de Sherlock.

Watson se desespera, os dois trocam suas últimas palavras. Ele a traiu? Quem é a mulher que ele encontrou no ônibus? Por que ele e Mary não podem simplesmente passar por cima de tudo isso e continuarem juntos?

Infelizmente, não há mais nada a ser feito.

Sad Barcelona Cuckooclock is sad

Mary Watson morre, deixando esposo e filha. E, segundo os criadores da série, não é uma pegadinha (como foi a morte de Sherlock no final da segunda temporada). Ela realmente está morta.

“Não estamos brincando”, disse o produtor e roteirista Steven Moffat. “Ela está morta. Qualquer coisa pode acontecer com qualquer um”. As consequências de sua morte e, principalmente, como isso vai afetar a amizade entre Sherlock e John, serão vistas no episódio desse domingo. Se ainda é possível a série ficar mais sombria, logo vamos descobrir.

Mas sempre teremos Bopyourtop Custardrash.

Nota: 9,834

Atenção: nem todas as imagens são da série de TV. Mas aposto que vc nem percebeu. E há uma cena pós-créditos curta, porém muito intrigante. Pode não querer dizer nada. Pode ser muito importante pro restante da temporada.

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