Esta resenha contem spoilers moderados do primeiro episódio da décima temporada de Dr Who! Leia por sua conta e risco, depois não adianta voltar no tempo e fingir que não viu!

A nova temporada de Dr Who estreou, tanto lá fora quanto aqui, atraindo olhares preocupados e sobrancelhas arqueadas.

Sobrancelhas prontas para o ataque!

Uma nova companion subiu a bordo da TARDIS naquela que deve ser a última temporada do produtor/roteirista Steven Moffat e do protagonista Peter Capaldi. Como em qualquer fase da série, temos então uma série de dúvidas e questionamentos que vão se arrastar até o especial de Natal, onde uma nova regeneração, tanto do elenco quanto do direcionamento da série, devem estimular os boatos, especulações e notícias desencontradas.

Mas a gente tem que admitir que alguns boatos são MUITO legais!

Surpreendentemente, o episódio dessa semana ajuda a conter a euforia, apresentando calmamente a nova companion: Bill Potts, interpretada pela novata Pearl Mackie, é curiosa, engraçada, entusiasmada e provocante, tudo na medida certa, prometendo se encaixar bem na atual tripulação, que também conta com o insosso Nardole. Mas o episódio é todo de Bill, até mais do que do Doutor. Precisamos conhecê-la e a história, ainda que muito boa, nada mais é que a introdução da personagem a esse universo.

“Doutor é quem tem doutorado, amigo!”

Não é tarefa das mais fáceis para uma série que já tem mais de 53 anos, mas ela consegue ser uma personagem original. Com traços marcantes, mas sem tentar ser uma sex symbol forçada, Mackie entrega uma companion com muita iniciativa, mas ao mesmo tempo assombrada com o que ocorre ao seu redor. Como exaustivamente debatido pelos fãs, ela é a primeira companion regular assumidamente gay – o que não é uma novidade para a série, que já teve o Capitão Jack Harkness e o casal Madame Vastra e Jenny. O aspecto positivo é que, em uma época onde as pessoas ainda se interessam excessivamente pela sexualidade umas das outras, a história flui sem a necessidade de discursos, textões ou levantar bandeiras. A melhor parte é termos a introdução de uma personagem que não é alguém que sabe mais sobre o Doutor do que ele mesmo, ou que guarda vários mistérios e segredos (pelo menos, não na forma como ela foi apresentada). Bill é uma garota comum, pega em meio a eventos incomuns.

“Se essa coisa não for um sabre de luz, estamos mortos.”

O episódio começa com a revelação de que o Doutor agora é um professor universitário por, talvez, mais de setenta anos e está preocupado em guardar um cofre. Mas o que é realmente tocante no episódio, são as fotos de River Song e Susan na mesa do Doutor, ao lado de um porta-lápis com diversos modelos antigos da Chave Sônica. As fotografias são uma parte importante do episódio, quase como se gritassem “somos parte da história” e, curiosamente, outras fotografias desempenham um papel importante na construção da personagem Bill. Ela é muito bem-vinda a bordo da TARDIS e, não importa se ela vai continuar ou não na próxima temporada: certamente já temos uma companion marcante e carismática, que pode marcar positivamente essa etapa na vida do Doutor.

Imagine quando esse cara voltar, então.

A produção é primorosa. Talvez um dos episódios de Dr Who com cenografia, fotografia e direção de arte mais inspirada, o que vai muito além das diversas referências que são caçadas implacavelmente pelos fãs. As sequências e ângulos estão impressionantes e todo o cuidado com a ambientação é merecedor de aplausos. Escrito por Steven Moffat e dirigido por Lawrence Gough, The Pilot é um episódio excelente em sua simplicidade, mas que com certeza ainda esconde muitos segredos para o restante da temporada.  Mais do que isso, só assistindo o episódio. A nova temporada de Dr Who passa todos os domingos no canal SyFy.

Nota: John Hurt

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