O texto a seguir contém diversos spoilers dos episódios de Arrow, Supergirl, Flash e Legends of Tomorrow que foram parte do crossover. Prossiga por sua conta e risco, ou volte no tempo e esqueça tudo que leu.

Ano passado, o CW apresentou um mega-crossover entre suas quatro séries baseadas em personagens da DC Comics. Invasão! (sobre a qual falamos aqui) foi um passo adiante – e bastante corajoso – em relação aos encontros anteriores entre o Flash e o Arqueiro Verde (ou entre o Flash e Supergirl). Mas se ano passado tivemos os episódios conectados de maneira precária (o da Supergirl só se ligou ao crossover no que pareceu uma cena pós-créditos), esse ano tivemos uma grande história, dividida igualmente em quatro partes e que possibilitou até uma vinheta de abertura especial. Basicamente, um filme de quatro horas dividido em duas noites.

Com direito a pôster especial do Phil Jimenez

A primeira hora do evento foi no episódio da Supergirl, mas não apenas a história, como também o elenco, estavam tão bem integrados que poderia ter sido um episódio de qualquer outra das séries. Para se ter uma ideia, é aqui que acontece (ou pelo menos começa) o casamento de Iris West e Barry Allen, o Flash. Oliver Queen, o Arqueiro Verde, pede Felicity Smoak em casamento – que ela recusa, literalmente, gritando. E uma “cura” é apresentada para a condição que forma o Nuclear – o herói é composto da fusão do jovem Jax e do Professor Stein, que quer se aposentar e ficar junto da família. Jax parece bastante incomodado com a ideia e o professor acha que é porque ele vai sentir falta de ter superpoderes – o cientista chega a elaborar um soro que possa dar poderes ao jovem, citando o Homem-Aranha. Claro, não faltam os momentos que devem pertencer a um episódio de Supergirl, com Kara e sua irmã reclamando do fracasso em suas vidas românticas e Alex passando a noite com a Canário Branco. E tudo isso antes da cerimônia começar.

Esse dia foi loko.

O casamento ainda guarda mais supresas, como a aparição de uma garota que parece bastante emocionada por estar falando com Barry. A especulação é que ela seja a filha de Barry e Iris, Dawn Allen, vinda do futuro para testemunhar o casamento dos pais. Se a veremos novamente, só acompanhando a série do Flash para saber.

No casamento, Kara canta “Running Home to You”, a música que Barry compôs para pedir Iris em casamento. Os dois atores vieram da série musical Glee, vale lembrar.

E tudo ia muito bem…

…até os nazistas aparecerem.

Assim como nos quadrinhos, a Terra X é uma dimensão paralela à nossa onde o Reich venceu a Segunda Guerra Mundial. As versões distorcidas dos heróis principais invadem o nosso mundo dispostos a ampliar seus domínios por todo o Multiverso – mas há um plano obscuro e ainda mais terrível por trás de suas ações.

Apesar do espaço restrito dentro da igreja, o primeiro confronto é bastante satisfatório e vemos heróis e vilões – caricatos em interpretação e motivações, é verdade – lutando e usando seus poderes de maneira bastante criativa e dramática.

Na segunda hora, conhecemos melhor os vilões: Arqueiro Sombrio, Overgirl e o Flash Reverso, Eobard Thawne – ele mesmo, explicando que viagens no tempo sempre permitirão que ele volte para atormentar a vida do Flash. Quando os nazistas finalmente derrotam os heróis é que os planos são explicados: a Kara da Terra X está morrendo por envenenamento radioativo e precisa de um transplante de coração. Supergirl é a doadora involuntária – enquanto os outros heróis são mandados para um campo de concentração com colares que restrigem seus poderes.

Esse é um dos momentos mais sombrios do crossover. Os uniformes dos prisioneiros do campo de concentração são os mesmos de amarga lembrança em nossa Terra. Porém, os prisioneiros recém chegados percebem que há estampas diferentes no unforme – uma estrela de seis pontas amarela ou um triângulo rosa. Claro, o aprisionamento de judeus e homossexuais reflete o regime nazista, mas também é a deixa para um comentário social atual.

– Por que você está aqui? – perguntam, a um jovem com o triângulo rosa no uniforme.
– Por amar a pessoa errada.

O jovem se revela ser o Ray, o novo personagem a ser introduzido no Universo CW e a “pessoa errada” é ninguém menos que Leonard Snart – nessa realidade, o Cidadão Frio, uma referência genial à saga Flashpoint e aos Combatentes da Liberdade – equipe de heróis que, nos quadrinhos, lutava contra os nazistas da Terra X e deverá ser vista novamente me breve na série animada estrelada pelo Ray.

Wentworth Miller sempre foi espetacularmente canastrão como o Capitão Frio. Na realidade “invertida” da Terra X, ele é um herói – mas não deixa de lado suas frases provocativas e olhar constante de “eu sei o que estou fazendo e faço melhor do que você”. É ótimo tê-lo de volta à série.

Enquanto os heróis lutam na Terra X contra o Tornado Vermelho para garantir a segurança do portal que os levará de volta para casa, Thawne usa radiação de uma estrela vermelha para enfraquecer a Supergirl e poder transplantar seu coração na Overgirl. As interações entre as duas versões da personagem são muito boas, com Melissa Benoist se destacando tanto como a ingênua heroína quanto a cruel vilã.

Quando Thawne estava prestes a abrí-la, no entanto, foi o momento de outro herói aparecer. O professor Ray Palmer, o Eléktron, detém o bisturi e permite a fuga para o Waverider, a nave das Lendas do Amanhã. O Arqueiro maligno propõe uma trégua entre as Terras – desde que entreguem a Supergirl para o transplante. O Arqueiro Verde recusa e nos encaminhamos para a batalha final – e alguns dos melhores momentos do crossover.

A preocupação dos produtores em manter as séries o mais “gibi” possível é gritante. Seja nas poses heróicas do grupo, nas frases de efeito ou nas pequenas homenagens à toda mitologia do Universo DC. O melhor momento do crossover, no entanto, não foi tirado dos quadrinhos. Durante a batalha, Overgirl está dentro de uma nave quando a Supergirl aparece do lado de fora e, pela janela, a provoca:

– General, se importa de vir aqui fora?

“Vem você aqui, é a mesma distância”.

O crossover termina como começou: com um casamento. Não apenas Barry e Iris finalmente conseguem concluir sua cerimônia, agora de maneira mais privada, mas também Oliver e Felicity decidem que não podem viver um sem o outro. Não sabemos, no entanto, se Jax voltará para o Waverider, quando veremos o Ray novamente ou porque diabos o Flash simplesmente deixa o Professor Zoom… ir embora.

O saldo final é bastante positivo e certamente vai aumentar as expectativas para o próximo crossover. Curiosamente, as séries são bem sucedidas onde o filme da Liga da Justiça falhou: a coesão da história, tratada como prioridade, movendo até a data da série do Arqueiro Verde no calendário do canal para não prejudicar a experiência. Mesmo em meio a perdas, fracassos, mortes e separações, a história central segue firme, todos os personagens têm seus momentos particulares de brilho e suas caracterizações seguem fiéis ao que as séries propõem. Sem dúvida nenhuma, lições devem ser tiradas daí.

Crossover com o selo CANÁRIO ALBINA de aprovação

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