Tardou, mas não falhou: como foi a CCXP para o povo, eu, do HQCafé.

Você não sabe o que é CCXP? Leia esse post e ouça este, e depois volte para cá, ou não.

Painel com Paul Pope, Frank Miller o quadrinista brasileiro Rafael Grampá.

Primeiro ponto sobre a CCXP 2016: foi melhor do que a de 2015? Foi. Para mim, foi. Muito melhor. Não que a CCXP 2015 não tenha sido boa, mas o aumento exponencial do público de um ano para o outro transformou o evento. A CCXP de 2014 não se repetiu em 2015, era outra coisa, maior e mais cheia, e eu não me preparei para isso.

Em 2014 você entrava no pavilhão e encontrava o Klaus Jason no Artist Alley com uma fila de duas pessoas – isso, DUAS PESSOAS, eu vi. Nos dois primeiros dias os painéis e o Auditório Ultra (auditório Cinemark agora) não tinham fila, nos dois últimos já havia filas grandes, mas você não ficava três horas esperando. Claro, tudo isso sem mencionar a pré-estreia do último filme do Hobbit que o povo dormiu na fila e deixou o Érico Borgo desesperado no Twitter pedindo para o povo não ir mais para lá. E isso às seis da manhã…

Em 2015 não havia mais bobo na CCXP, todos os dias estavam lotados, filas enormes, esperas enormes e, se você não se planejasse, não aproveitava bem o evento. Mesmo assim eu gostei…

2016 foi a CCXP gigante. Com a utilização de toda a área da SPExpo a circulação do público ficou mais tranquila, as filas estavam melhor organizadas, o calor dos anos anteriores sumiu (fazia até um friozinho), a praça de alimentação estava maior, digo, as praças (haviam duas e outras pracinhas por todo o espaço com mais opções de comida). Mas, povo, se vocês quiserem curtir mesmo as atrações, levem comida! Comam nas filas ou nos auditórios. Eu prefiro passar fome e voltar com os autógrafos…

Autógrafo de Simon Bisley em um de seus desenhos abstratos.

O Artist Alley estava muito maior, com mais artistas, tantos que nem consegui achar todo mundo que eu queria. O quadrinistas diziam que as mesas estavam maiores permitindo que expusessem mais revistas e outros produtos, o espaço entre as fileiras de mesas era maior, tornando a experiência mais confortável, talvez para compensar terem que ouvir o karaokê do stand do Netflix o dia todo, todo o dia as mesmas quatro músicas… Sendo que uma era a preferida da maioria…

Os preços dos produtos na CCXP não variam muito do que encontramos fora do evento, com exceção dos quadrinhos já que a Comix e a Panini sempre vendem com algum desconto, mas na Comix não estava tão vantajoso assim.

O stand oficial da DC Comics vendia tudo mais caro, que decepção. Os mesmo produtos eram vendidos em outros stands a preços menores. Bem menores.

Dedé Santana promovendo o seu primeiro filme que não pertence ao mundo dos trapalhões.

O acesso ao pavilhão estava mais rápido com o fim das obras da SPExpo, a saída do evento também era mais tranquila, a sinalização das ruas estava mais clara e acessível. Porém a quantidade de monitores não era suficiente para a demanda, e, para mim, estava complicado identificá-los no meio da multidão (talvez por causa da cor da camiseta, vermelho-rosa). Nas CCXP anteriores era mais fácil ver os monitores, as camisas possuíam cores mais vivas, destacando-se no público.

Um escritor do HQCafé e o Frank Quitely.

O palco com bandas de rock foi uma grata surpresa, as áreas para crianças como a do Nickelodeon foi providencial por criar uma área específica para a faixa, assim como um setor separado para os amantes da cultura japonesa, como já era feito para os gamers.

Marcio Fiorito e Bill Sienkiewicz

Painel com o SEPULTURA

Marcio Fiorito e Simon Bisley

As Masterclasses, os spotlights e os debates nos dois auditórios menores foram ótimas, a condução das masterclasses por Marcelo Fiorito foi magistral. As discussões, os debates, as aulas e as histórias contadas pelos roteiristas e desenhistas são um tesouro para quem cresceu lendo gibis. Acredito que aqui cabe um aparte: se o seu foco na CCXP for quadrinhos, você deve priorizar as masterclasses e os spotlights, que são realizadas em auditórios menores e cujo o acesso é mais fácil do que o do Cinemark, que tem se tornado um espaço mais direcionado ao público de cinema e seriados. Chega a ser constrangedor quando o VP da DC Comics pergunta “Quem aqui sentia falta do Wally West?” e a plateia fica calada, como ocorreu no auditório Cinemark.

Tudo somado e subtraído, a CCXP 2016 foi a melhor de todas.

Abaixo vocês ficam com algumas fotos que tirei da internet porque não estou encontrando as minhas que tirei no evento. Parece que tardar me fez falhar…

São Paulo, dezembro de 2016. Cobertura do evento CCXP 2016 no São Paulo EXPO. Foto: Carolina Vianna.