SIM, senhoras e senhores. Ele foi eleito. O anticristo, o grande satã branco, destruidor de mundos, que traz o juízo final, que divide nações e joga irmão contra irmão sem, para isso, bagunçar seu belo topete. Donald Trump foi eleito presidente dos US and A, para desespero de pessoas como, bem, como eu e você (por algum motivo). Na verdade, por mais que os profetas do apocalipse estejam pregando o fim, sejamos francos: qual o problema? Já elegemos coisa muito pior e sobrevivemos pra contar a história.

Cadê seu deus agora?

Mas em qual dos três eu votei?

Claro que nossos presidentes insanos não tinham um arsenal nuclear à sua disposição, mas isso é um mero detalhe. O que preocupa não é o impacto que isso vai ter na economia ou a iminência de uma guerra atômica. Não, amigos, nada disso. O que realmente preocupa nessa eleição são as promessas de campanha de Trump, em que ele declarou querer construir um muro pra evitar a entrada de mexicanos no país e expulsar imigrantes.

Another brick in the wall

Another brick in the wall

E antes que você diga algo como “mas o que eu, morando aqui no Brasil, tenho a ver com isso?”, pense por um instante. Não seja egoísta. Enxergue o panorama mais amplo. Não tem a ver com você, meu caro, mas com os gibis que você lê. Os filmes que você assiste. As séries que você consome. Como eles seriam afetados?

Wolverine, por exemplo, é canadense. Será que o presidente Trump o deportaria, deixando os X-Men desfalcados de seu mais popular personagem? E Hugh Jackman? Seria chutado de volta pra Austrália, condenado a passar o resto da vida contracenando com a Nicole Kidman (o que nem é um fim tão terrível assim)? Claro, o Wolverine é apenas um, mas será que os X-Men sobrevivem sem os outros imigrantes? Noturno é alemão, Colossus é russo, Jubileu é… hã… Coreana?

canadense

“I’m not amused”.

E o Deadpool? Se ele for americano, fica. Se for canadense, sai. Considerando que o filme dele fez mais dinheiro que os filmes do Wolverine, acho que vai rolar um jeitinho brasileiro aí.

Aliás, por que não temos nenhum x-man mexicano?

Ah. Por isso.

Ah. Por isso.

Não vamos nos esquecer de como isso afeta outras franquias cinematográficas. No filme do Esquadrão Suicida tivemos a silenciosa-porém-letal Katana e o criminoso australiano falastrão Capitão Bumerangue. Se eles voltam para a continuação, é um mistério. Mas também podem ser substituídos por Mestre dos Espelhos (hmmm… irlandês?), Bane (cubano? Porto riquenho?) ou Conde Vertigo (maluco.)

No recém-lançado filme do Dr Estranho tivemos Wong, o simpático mordomo, digo, assistente, digo, bibliotecário, digo (insira função braçal estereotipada aqui) do personagem título (sim, o caucasiano que vai até o Nepal e se torna melhor do que os nativos em tudo que eles fazem bem). Por que esses povos não impedem a entrada de americanos e sua apropriação cultural indevida? Talvez pensando nisso tenham escalado a Tilda Swinton como o Ancião.

Tilda Swinton como Nicolas Cage como Fu Manchu como Ra's Al Ghul como Lian Neeson como O Ancião.

Tilda Swinton como Nicolas Cage como Fu Manchu como Christopher Lee como Ra’s Al Ghul como Lian Neeson como O Ancião.

Na franquia Vingadores temos a russa Viúva Negra, a romena Feiticeira Escarlate, o sintozóide Visão, o viking Thor e não temos certeza se o Soldado Invernal ainda é cidadão americano ou ex-soviético. Pra não falar na Miss Marvel, que pode aparecer em algum filme, e na Colleen Wing, que deve fazer sua estréia na série de TV do Punho de Ferro.

Há os impasses diplomáticos também. O Dr Destino, como monarca da Latvéria, tem imunidade diplomática e pode ter acesso à embaixada de seu país. A Mulher Maravilha é embaixadora de Themyscira reconhecida pela ONU, assim como Aquaman representa a Atlântida. Basicamente, o Quarteto Fantástico continua com o mesmo problema de antes e a Liga da Justiça segue sem desfalques.

"I laugh at your green card, son of Krypton"

– Não tenho medo de você. Eu sei que você não mata. – Diga isso ao General Zod.

Por falar em Liga da Justiça, como fica o mais popular imigrante dos quadrinhos? O Superman se declarou kryptoniano e tem vivido nos US and A sem green card por mais de 75 anos. O bom presidente Trump não pode deixar essa afronta à soberania nacional passar impune. Talvez a águia da liberdade deva voar, levando democracia na forma de bombas atômicas pra Krypton e… Não, pera. Krypton já explodiu. Superman é o último (no filme Homem de Aço ele fez o FAVOR de impedir os pobres refugiados kryptonianos de se estabelecerem em nosso planeta da mesma maneira que ele. Aquele hipócrita!) Claro, ele ajuda as pessoas aqui e ali, presta um serviço social, uniforme nas cores da bandeira, verdade, justiça e o modo de vida americano… Ok, Superman. Você pode ficar. Sua intolerância a imigrantes é bem-vinda na nova América de Donald Trump.

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Mas não abuse da sorte.

É, Superman. Nós também preferíamos o Luthor.

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Os produtores do seriado não sabiam contar os anos eleitorais?

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