Shazam começou sua carreira nos quadrinhos em 1940 na revista Whiz Comics, da Fawcett Publications, como uma resposta ao sucesso dos recém criados Superman e Batman da National Comics (que mais tarde se chamaria DC).

Na história, criada por CC Beck e Bill Parker, Billy Batson é um menino escolhido pelo mago Shazam para defender o mundo contra as forças do mal, por causa da bondade em seu coração. Tudo o que ele precisava fazer era gritar o nome do mago e se transformaria no Capitão Marvel.

O nome do mago era um acrônimo com os nomes de figuras lendárias que doavam um poder a seu receptor, a saber: Salomão (que concedia sabedoria), Hércules (força), Atlas (vigor), Zeus (poder do raio), Aquiles (coragem) e Mercúrio (velocidade).

As feições do herói foram inspiradas no ator Fred MacMurray. As aventuras do Capitão Marvel foram um grande sucesso, e chegaram a vender mais que seus predecessores Superman e Batman. Como muitas histórias eram bem parecidas com as do Homem de Aço, a National resolveu meter um processinho contra a Fawcett.

MacMurray

A batalha judicial se arrastou até 1953. Como a revista não estava mas vendendo bem, a Fawcett achou que não valia mais a pena insistir, propôs um acordo e abandonou o ramo de quadrinhos.

Por vinte longos anos, o Capitão caiu no esquecimento até ser adquirido que a própria National, agora já DC Comics. Foi aí que o Capitão Marvel entrou para o panteão da editora, embora eles não pudessem usar o título na revista porque a Marvel Comics tinha feito um Capitão Marvel próprio e vinha publicando suas histórias. As revistas do herói eram publicadas com o nome de Shazam! desde então.

Para desfazer essa confusão, a DC decidiu rebatizar o herói de Shazam de uma vez no reboot conhecido como Novos 52, de 2011. Nessa ocasião, a história do herói foi recontada de maneira mais moderna por Geoff Johns e Garry Frank.

O mago, agora mais riponga, não é mais um mentor que aparece de maneira recorrente. Ele sequestra várias pessoas na busca de alguém essencialmente bom, até ser lembrado por Billy que ninguém é absolutamente bom ou mau.

Só tem tu, vai tu mermo.

Além disso, o garoto de doze anos explica que vivemos em um mundo sujo em que o homem é o lobo do homem e não se pode confiar em ninguém. No início, Billy chega a confundi-lo com um pedófilo, afinal, ele é um velho que sequestra crianças para uma caverna escura. O século XI acabou mesmo com a ingenuidade da Era de Ouro dos quadrinhos.

Em Darkseid Wars, também de Johns, é explicado que ele não é bem um mago, mas um deus do trovão chamado Marmaragan, da mitologia aborígene. Ele faria parte de um novo conjunto de deuses que concedem seus poderes.

O filme que estreia esta semana parece se apoiar bastante na fase de Johns e Frank, que foi elogiada entre os fãs. Pudera, uma vez que o primeiro teve bastante participação no desenvolvimento criativo do longa, da mesma maneira que fez com Aquaman. Aqui no HQ Café, estamos torcendo para que eles tenham conseguido contar uma boa história como conseguiram com o Rei de Atlântida.