Hoje, em sessão única, estreou Batman: A Piada Mortal, animação da clássica história escrita pelo mago Alan Moore e desenhada por Brian Bolland.

Costumo dizer que sou mal acostumado, logo que comecei a ler quadrinhos a Abril publicou Cavaleiro das Trevas, Watchmen, A Piada Mortal, Ronin, A Queda de Murdock, O Monstro do Pântano do Moore… são histórias que até hoje figuram nas listas das melhores de muita gente.

A minha lista inclui A Piada Mortal. Uma história que me marcou. Quando li a primeira vez, eu ainda não sabia que o Coringa possuía a pele branca, e por isso não entendi no início, quando o Batman percebe que não estava conversando com o palhaço, porque tinta branca havia ficado em sua luva depois que ele tocava no braço do Coringa. Não entedia nem o porquê do Robin não aparecer!

A história me impressionava pelo tom sério, pelas mortes! o Coringa matava mesmo! e de certa forma aquilo me incomodava. Entendam, antes as versões que eu conhecia eram do seriado camp de 66 e do desenho dos Superamigos.

Os desenhos do Bolland eram um show à parte, fascinavam-me pelo realismo, pelos detalhes e expressões. Os rostos dos personagens me diziam o que sentiam sem que precisassem falar. As cores vivas em um cenário escuro, e a simetria das ações em desenvolvimento que se fechava em um click me faziam ler e reler a revista. Ainda tenho aquela edição, a capa saiu, mas tenho.

Na parte mais polêmica da história, o Coringa vai à casa da Bárbara Gordon, atira nela na frente do Comissário Gordon, ela cai sobre uma mesa de vidro que se despedaça (eu imaginava a dor que deveria ser cair sobre aqueles cacos de vidro) o Comissário é rendido por dois capangas, e neste ponto, fica sugerido que o Coringa a estupra, e explícito que ele a despe e tira fotos. Na montagem original da cena havia mais nudez da Bárbara, no entanto, a DC interveio e o impacto da imagem foi amenizado.

O Comissário Gordon é levado para um parque de diversões abandonado e torturado. As fotos de sua filha nua e contorcendo-se de dor são mostradas a ele intensamente, enquanto o Coringa canta e o comissário é levado nu como uma atração do parque.

Tudo isso porque o Coringa queria provar a sua teoria, que “tudo que uma pessoa pessoa precisa para ficar igual a ele, era um dia ruim”.

Agora eu lhes pergunto; é necessário alguma outra motivação para o Batman ir pegar o Coringa? Depois de tudo o que o palhaço fez?

O spoiler da animação mostra que Batman e Batgirl transam, uma das justificativas para a inclusão desta cena era aumentar a motivação do Homem Morcego na caçada ao Coringa, não sei por quê, ou sei, isso me desanimou. Perdi a vontade de ir ao cinema.

Batman não precisa de mais motivação para caçar alguém que atira à queima roupa, estupra, tira fotos e tortura para “provar” uma teoria.

Para mim, a impressão que fica é que entregaram essa história a uma equipe criativa e disseram a eles, “façam mais dinheiro, DINHEIRO!”. Mesmo conhecendo o roteirista e produtores executivos, que sei que conhecem a trajetória do morcego, fiquei com a sensação que essas pessoas não entendem quem, e o quê, Batman é.

Não me chamem de moralista falso moralista, comunista de merda, eu sei que não gostei sem ter visto, e admito. Ganhar dinheiro e obter lucro não é errado. Jogar tinta em obras de arte é.

Estou ficando velho para muitas coisas.